Evan Vucci/AP
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EUA retomam assistência aos palestinos com pacote de US$ 235 milhões

Washington voltará a realizar aportes, que deixaram de ser feitos durante o governo Trump, à agência da ONU responsável pelos refugiados palestinos, além de ajudas econômica, de desenvolvimento e para os esforços de paz

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2021 | 01h45

WASHINGTON - O governo Biden anunciou na quarta-feira, 7, que fornecerá US$ 235 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) em ajuda aos palestinos, reiniciando o financiamento para a agência das Nações Unidas de apoio aos refugiados (UNRWA) e restaurando uma assistência cortada pelo então presidente Donald Trump.

O pacote, incluindo ajuda humanitária, econômica e de desenvolvimento, foi detalhado pelo Secretário de Estado do país, Antony Blinken, como parte de um esforço para reparar os laços americanos com os palestinos que quase ruíram durante o mandato de Trump.

O governo informou que Washington voltará a realizar aportes junto à UNRWA, com uma contribuição de US$ 150 milhões (R$ 842 milhões). Os americanos também oferecerão US$ 75 milhões (R$ 421 milhões) em ajudas econômica e de desenvolvimento para a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, e US$ 10 milhões (R$ 56 milhões) para os esforços de paz.

Os assessores de Biden também sinalizaram que desejam estabelecer, como uma prioridade na política dos Estados Unidos, uma solução negociada para o conflito entre Israel e Palestina.

No entanto, quaisquer outras medidas importantes provavelmente esperarão que a poeira baixe após as eleições inconclusivas de Israel em março, que serão seguidas pelas eleições palestinas marcadas para os próximos meses.

Apoio à UNRWA

O gabinete do presidente palestino, Mahmoud Abbas, saudou o compromisso de Biden com uma solução de dois Estados, bem como a renovação da ajuda. E o primeiro-ministro, Mohammed Shtayyeh, escreveu no Twitter: "Apelamos à administração americana para criar um novo caminho político que atenda aos direitos e aspirações do povo palestino."

Mas Gilad Erdan, embaixador de Israel nos Estados Unidos e nas Nações Unidas, criticou a renovação do financiamento para a UNRWA, dizendo que ela permitia incitação e atividades antissemitas contra Israel em suas instalações. "Acreditamos que esta agência da ONU para os chamados refugiados não deveria existir em seu formato atual", disse ele em um vídeo postado no Twitter.

Ele contou que, em conversas com o Departamento de Estado, expressou "a decepção e objeção à decisão de renovar o financiamento da UNRWA" sem primeiro garantir que reformas fossem realizadas. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, um aliado próximo de Trump, já havia pedido o desmantelamento da UNRWA.

O comissário-geral da agência para refugiados, Philippe Lazzarini, disse à Reuters que o novo financiamento é "extremamente bem-vindo", mas ponderou que a instituição "ainda não estava fora de perigo". O momento é de aumento das necessidades de refugiados exacerbadas pela pandemia de covid-19 e a crise no Líbano.

Ele disse que a UNRWA era um "bode expiatório fácil" e que, embora o financiamento renovado fosse importante, também era importante ter os Estados Unidos de volta como "parceiro estratégico".

"Temos sofrido um ataque cruel com um objetivo político claro por trás disso", disse ele. "Somos uma organização humanitária e de desenvolvimento humano operando em um ambiente altamente politizado."

As Nações Unidas saudaram o reinício do financiamento da UNRWA. "Houve uma série de países que reduziram enormemente as contribuições suspensas para a UNRWA. Esperamos que a decisão americana leve outros a voltarem como doadores", disse a porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, a repórteres.

Bloqueio de Trump

O governo Trump bloqueou quase toda a ajuda depois de romper os laços com a Autoridade Palestina em 2018. A medida foi amplamente vista como uma tentativa de forçar os palestinos a negociar com Israel.

Os cortes vieram depois que os líderes palestinos decidiram boicotar os esforços do governo Trump sobre sua decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir a embaixada dos Estados Unidos de Tel-Aviv para lá.

Isso incluiu rescindir o financiamento para a UNRWA, que fornece serviços de ajuda e socorro a cerca de 5,7 milhões de refugiados palestinos registrados na Cisjordânia ocupada, Faixa de Gaza e em todo o Oriente Médio./ Reuters

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