Andrew Harnik / AP
Andrew Harnik / AP

EUA retomarão sanções contra Irã, mas oito países poderão manter importação de petróleo

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, não detalhou quais nações estarão eximidas da proibição de compra do combustível, mas ressaltou que medida foi concedida àquelas que prometeram ou começaram a reduzir as transações do produto com a República Islâmica

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2018 | 14h14
Atualizado 05 Novembro 2018 | 18h48

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos confirmou nesta sexta-feira, 2, o restabelecimento de todas as sanções internacionais ao Irã a partir de segunda-feira. As medidas haviam sido suspensas pelo acordo nuclear de 2015. Em maio, porém, o presidente Donald Trump retirou o país do pacto e anunciou que as punições seriam retomadas, embora ele não houvesse determinado uma data. Oito países poderão continuar importando petróleo, anunciou o secretário de Estado, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, 2.

Os oito países – que não foram anunciados – poderão continuar importando petróleo iraniano, segundo o anúncio do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. Um desses países seria o Iraque. Fontes do governo iraquiano disseram nesta sexta-feira, 2, à agência Reuters que o país recebeu sinal verde de Washington para continuar a comprar gás e alimentos dos iranianos.

O anúncio foi feito pelo Twitter de Trump. “As sanções estão chegando: 5 de novembro”, escreveu o presidente, usando uma frase da série de TV Games of Thrones (“O inverno está chegando”). As medidas, segundo a Casa Branca, completam o processo de restabelecimento gradual das sanções, com a volta das proibições relativas ao comércio de petróleo, às atividades bancárias e a outras operações comerciais que envolvam o Irã. 

O Departamento do Tesouro pedirá que o Irã seja excluído do sistema Swift, rede que interliga instituições financeiras do mundo todo. Os americanos adicionaram ainda 700 pessoas e entidades à lista de alvos das sanções. Segundo Pompeo, o restabelecimento das sanções tem por objetivo “privar o regime dos rendimentos que utiliza para propagar a morte e a destruição no mundo”.


“Nosso objetivo final é forçar o Irã a abandonar permanentemente suas atividades ilegais e começar a se comportar como um país normal”, disse o secretário de Estado. “Pressão máxima significa pressão máxima.”

O acordo nuclear de 2015 previa o alívio de sanções ao Irã em troca de o país limitar suas atividades nucleares e não desenvolver uma bomba atômica. Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China também assinaram o acordo – mas, diferentemente dos EUA, permaneceram nele, mesmo após a saída dos americanos.

Em resposta, os europeus prometeram lançar em breve um mecanismo chamado “veículo para fins especiais” (SPV, na sigla em inglês), com o objetivo de contornar o sistema financeiro dos EUA, usando um intermediário da União Europeia para lidar com o comércio com o Irã e proteger as empresas europeias de qualquer punição. 

Em mais uma tentativa de salvar o acordo, Reino Unido, Alemanha, França e a representante da diplomacia europeia, Federica Mogherini, emitiram um comunicado conjunto lamentando o restabelecimento das sanções. “O acordo nuclear é importante para a segurança da Europa e do mundo”, diz o texto. 

Eles também a garantiram que continuarão trabalhando com Rússia, China e outros países para garantir a manutenção dos canais financeiros com o Irã. “Nós nos comprometemos a trabalhar para preservar e manter canais financeiros eficazes com o Irã e continuar a exportação de petróleo e gás.”​ / AFP

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