EUA revelam detalhes sobre vigilância durante governo Bush

Diretor da Inteligência Nacional, James Clapper alega, no entanto, divugação de infomações revelaria capacidades americanas aos terroristas

O Estado de S. Paulo,

21 de dezembro de 2013 | 14h49

WASHINGTON - Neste sábado, 21, os EUA publicaram detalhes das operações de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) durante o governo do presidente George W. Bush. O governo de Barack Obama, no entanto, continua argumentando na Justiça que fornecer detalhes específicos sobre esses programas prejudicaria os esforços de combate ao terrorismo.

O diretor da Inteligência Nacional, James Clapper, e a vice-diretora da NSA, Frances Fleisch, deram declarações formais na sexta-feira, 20, em um processo aberto pela Fundação Fronteira Eletrônica (EFF, em inglês), grupo que defende liberdades civis. Na ação, a EFF acusou o governo americano de ter criado um sistema de comunicações que conduzia a vigilância sobre "praticamente cada americano que utiliza o sistema de telefonia ou de Internet".

Embora Clapper e Fleisch digam que as acusações são falsas, suas declarações esclareceram alguns detalhes básicos do sistema de vigilância. "A coleta da NSA de conteúdo de comunicações sob o TSP (ou Programa de Vigilância Terrorista) era destinada às comunicações internacionais, na qual acreditava-se que um participante estaria associado à Al-Qaeda, ou a uma organização filiada", disse Clapper.

Ele e a NSA ainda se recusam a fornecer detalhes do escopo da vigilância ou dizerem se as acusações no caso aberto pela EFF eram relacionados à espionagem. Eles argumentaram que as informações revelariam muito aos grupos terroristas sobre as capacidades americanas. O fornecimento dessas especificidades provocaria "um dano excepcionalmente grave à segurança nacional", escreveu Clapper.

O processo da EFF foi um dos vários abertos por defensores das liberdades civis sobre o programa de vigilância dos EUA. Durante anos, o governo americano lutou contra os esforços da EFF para obter detalhes sobre o que foi uma vez conhecido como o Programa de Vigilância do Presidente e o Programa de Vigilância Terrorista. Em 2005, o então presidente George W. Bush reconheceu a existência geral desses programas, mas seu governo e o de Barack Obama combateram na Justiça todos os esforços para debater a questão. / AP

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