EUA rompem laços e sancionam Trípoli

Washington impõe medida unilateral para congelar ativos e vetar viagens de líderes líbios; Conselho de Segurança decide hoje plano de ação

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

Logo após a retirada dos funcionários de sua embaixada em Trípoli, os EUA aprovaram ontem a aplicação de sanções unilaterais contra o regime líbio nos próximos dias e a suspensão das relações diplomáticas com o país.

"Essas sanções atingem o governo Kadafi, enquanto protegem os bens que pertencem ao povo da Líbia", disse o presidente Barack Obama. As sanções atingirão a cúpula em princípio na forma do congelamento de ativos pelo Departamento do Tesouro dos EUA e de proibição de viagens impostos contra dirigentes de Trípoli. Em paralelo, Washington vai apoiar sanções do Conselho de Segurança da ONU - multilaterais -, geralmente de aplicação mais demorada.

"Estamos finalizando (as sanções). O rol de setores a serem afetados é bem conhecido", afirmou Carney, para deixar claro em seguida ser esse apenas um primeiro passo para pressionar o regime líbio a parar com a reação violenta aos protestos pela democracia. "O coronel (Muamar) Kadafi perdeu a confiança do seu povo. Sua legitimidade foi reduzida a zero."

ONU. Convocado de forma extraordinária, o Conselho de Segurança começou a tratar uma proposta de sanção à Líbia, que incluiria embargo econômico, financeiro e à venda de armas, congelamento de ativos no exterior e medidas contra líderes do país, adiantou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Países árabes e da África pediram "severas sanções" contra o regime líbio. Entre os 15 membros do Conselho, Rússia e China tentavam ontem suavizar eventuais retaliações. Ambos têm poder de veto. O Brasil, presidente do Conselho neste mês, tende a se abster. A votação está marcada para as 11 horas de hoje. Além de receber sanções, as autoridades líbias podem ser levadas ao Tribunal Penal Internacional.

"É hora de o Conselho de Segurança considerar ações concretas. As próximas horas e dias serão decisivos para os líbios", disse Ban, ao mencionar a necessidade de prevenção de um massacre.

Segundo Carney, os EUA ainda vão concentrar seu aparato de inteligência sobre o regime de Kadafi, especialmente para "vigiar possíveis atrocidades contra o povo líbio". O anúncio das medidas unilaterais americanas deu-se depois de dois movimentos. Primeiro, a retirada de Trípoli de 167 cidadãos americanos e de 188 estrangeiros em uma embarcação alugada pelo governo dos EUA.

O Departamento de Estado admitiu ontem a possibilidade de ainda haver americanos na Líbia. A retirada da grande maioria permitiu a Washington uma postura mais enérgica.

O segundo movimento foi o conjunto de conversas do presidente americano, Barack Obama, com os líderes da França, Nicolas Sarkozy, da Grã-Bretanha, David Cameron, da Itália, Sílvio Berlusconi, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, nos últimos dois dias.

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