EUA sabiam antecipadamente do golpe de 1967 na Grécia

Os EUA tinham conhecimento prévio do golpe de Estado que, em 1967, levou ao poder o regime militar dos ?coronéis? na Grécia. Os Estados Unidos temiam uma possível vitória da esquerda nas eleições que se aproximavam e que, graças ao golpe, não foram realizadas, segundo confirmaram numerosos documentos divulgados nos últimos dias pelo Departamento de Estado americano. Os documentos revelam que entre 1964 e 1968 Washington vigiou Andreas Papandreou, fundador do partido socialista Pasok, por temor de que, sob um governo de esquerda, a Grécia saísse da órbita dos EUA. Tais documentos foram desclassificados - isto e?, deixaram de ser considerados secretos - com dois anos de atraso em relação ao calendário oficial, afirma o jornal Kathimerini, porque a CIA se opôs firmemente à publicação, e "conseguiu fazer desaparecerem documentos que se referiam à sua relação com os militares que lideraram o golpe de Estado". Os papéis cobrem um período que vai desde o triunfo eleitoral da União de Centro, encabeçado por George Papandreou (pai de Andreas e avô do atual ministro de Relações Exteriores, que tem o mesmo nome) até as intrigas que provocaram a queda do governo, seguida por governos débeis e instáveis, e pelo golpe de Estado que anulou as eleições de maio de 1967. Cartas do então embaixador americano revelam também que o rei Constantino - que aparentemente desejava um golpe de Estado, se a União de Centro ganhasse as eleições - se havia oposto aos militares que tomaram o poder. Os dois principais líderes do golpe, o coronel Giorgos Papadopoulos e o general de brigada Styllianos Patakos, eram próximos aos militares americanos: Papadopoulos havia servido como oficial de conexão com a DIA, o serviço de inteligência militar dos EUA, e Pattakos tinha parentes nas Forças Armadas americanas, além de ser visto como pró-americano. O apoio, ou a não-intervenção dos EUA no golpe, é considerado como origem de um sentimento antiamericano ainda hoje amplamente detectado na Grécia. O presidente Bill Clinton pediu desculpas pela relação de Washington com esses fatos durante sua visita à Grécia, em 1999.

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