Don Emmert/AFP
Don Emmert/AFP

EUA impõem sanções contra ministro das Relações Exteriores do Irã

Mohammad Javad Zarif, até então visto como a principal figura para o estabelecimento de relações diplomáticas com o Irã, foi considerado muito fiel ao regime e de implementar a 'agenda inconsequente' do país

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 18h47

WASHINGTON – O governo dos Estados Unidos impôs sanções nesta quarta-feira, 31, ao ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, em meio à escalada das tensões nucleares e entre navios iranianos e ocidentais no Golfo Pérsico.  O presidente iraniano, Hassan Rohani, sanções refletem "medo" dos EUA. 

A medida incomum de penalizar o diplomata superior de outra nação acontece um mês depois do presidente americano Donald Trump assinar uma ordem aplicando sanções contra o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

O secretário do Tesouro Americano, Steven Mnuchin, justificou a medida afirmando que Zarif “implementa a agenda inconsequente do líder supremo do Irã e é o porta-voz principal do regime no mundo. Os Estados Unidos estão enviando uma mensagem clara ao regime iraniano que seu comportamento recente é completamente inaceitável”, disse.

As sanções congelam todos os ativos de Zarif nos EUA e proíbe cidadãos ou entidades americanas de fazer negócios com o chanceler, além de impor ameaças de sanções a países que lidarem com ele.

Zarif também está proibido de viajar aos EUA, que já é uma regra aplicada a oficiais iranianos. Exceções são feitas quando as viagens ocorrem para missões oficiais da ONU, como aconteceu com Zarif em julho, quando esteve em Nova York.

No Twitter, o chanceler do Irã colocou em dúvida a justificativa dada pelos EUA, além de afirmar que as sanções não afetariam ele ou sua família. “A verdade é mesmo tão dolorida? Isso não tem efeito em mim ou na minha família, já que eu não tenho propriedades ou interesses fora do Irã. Obrigado por me considerar uma ameaça tão grande à sua agenda”.

A movimentação para punir Zarif havia sido antecipada quando Mnuchin afirmou no mês passado que Trump havia direcionado ele a sancionar o chanceler iraniano, por ser um advogado fiel aos pontos de vista do Irã. Porém, as sanções foram adiadas depois dos funcionários do Departamento de Estado americano argumentarem que a ação fecharia uma porta para a diplomacia entre os países.

Trump tem mostrado frequentemente uma intenção de diálogo com líderes iranianos, mesmo que sua administração aprofunde a campanha de pressão máxima, que devastou a economia iraniana. Também nesta quarta, o Irã anunciou que irá mudar sua moeda local, na tentativa de melhorar a economia.

Questionado se as sanções ao diplomata iraniano limitariam a habilidade americana de negociar com o Irã, se algum dia elas ocorrerem, um oficial da administração afirmou em anonimato que “se nós de fato tivermos um contato oficial com o Irã, nós gostaríamos de tê-lo com alguém que é um tomador de decisões significante”.

As tensões entre os dois países se agravaram desde o ano passado, quando Trump decidiu sair de maneira unilateral do acordo nuclear de 2015 com o Irã. O país já afirmou que ultrapassou os limites estabelecidos pelo acordo de quantidade e nível de enriquecimento de urânio, o que seria um começo para o processo de produção de uma bomba atômica.

Apreensões de navios americanos e britânicos tornaram-se comuns no Golfo Pérsico, além da derrubada de um drone dos EUA. Em junho, Trump quase autorizou um ataque aéreo no Irã, mas desistiu dez minutos antes, segundo escreveu no Twitter, após saber que aproximadamente 150 pessoas seriam atingidas. / W. POST e AP

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