EUA são criticados por boicote

Obama não envia ninguém para reunião sobre racismo

, O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2009 | 00h00

Líderes do movimento negro em Chicago, membros do Congresso americano, o governo brasileiro, ativistas da África e ONGs de defesa dos direitos humanos criticaram ontem o presidente dos EUA, Barack Obama, por boicotar a conferência da ONU sobre Racismo, que começa hoje em Genebra. A decisão de Obama, que optou por não enviar uma delegação a Genebra por causa da linguagem anti-Israel da conferência, esvaziou o evento e causou uma reação em cadeia de outros países. Israel, Austrália, Canadá, Holanda, Alemanha, Polônia e Itália também decidiram não enviar representantes à conferência.O Itamaraty tentou negociar a moderação dos discursos, tanto com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, quanto com o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, que prometeu levar ao evento sua inflamada retórica antissemita. Não adiantou. A análise do Itamaraty é de que Ahmadinejad pretende mostrar que é um ator no sistema multilateral."Estou chocada com a decisão americana", afirmou Navi Pillai, alta comissária da ONU para Direitos Humanos. Para ela, os conflitos políticos no Oriente Médio contaminaram a conferência. Movimentos negros nos EUA e Brasil se sentiram "traídos". "Quase chorei ao saber da decisão", disse ao Estado Malaak Shabazz, filha do ativista negro Malcolm X."Para o movimento negro mundial, o boicote prejudica a imagem de Obama, mesmo que ele seja o primeiro presidente negro dos EUA", disse o senegalês Doudou Diene, ex-relator da ONU para o combate ao racismo. Obama defendeu sua decisão dizendo que adoraria estar envolvido em uma conferência sobre racismo, mas que o texto da declaração não era aceitável por causa da linguagem anti-Israel, classificada como "hipócrita e contraproducente". Diplomatas iranianos confirmaram ao Estado que Ahmadinejad deve aproveitar o encontro para passar uma mensagem a Israel - e é isso que países ocidentais querem evitar. Alguns diplomatas confessaram que deixarão a sala de reuniões hoje se o iraniano voltar a negar o Holocausto. Nos últimos dias, líderes de vários países chegaram a um entendimento sobre o texto final da conferência, para que não criticasse Israel nem falasse sobre difamação religiosa. Mesmo assim, o texto faz referência à primeira conferência conta o racismo, de 2001, quando o sionismo foi classificado como forma de racismo. A decisão de Obama foi tomada depois de uma avalanche de visitas de grupos de lobby pró-Israel à Casa Branca. O governo israelense pediu ontem que "todos os países democráticos" também boicotassem a reunião. Alguns governos, no entanto, garantiram presença. A Grã-Bretanha, por exemplo, confirmou sua participação.

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