Reprodução|La Patilla
Reprodução|La Patilla

EUA se dizem preocupados com pressão sobre promotor do caso Leopoldo López

Para americanos, fato coloca em dúvida a ‘independência judicial’ na Venezuela; ex-presidentes latinoamericanos exigem a libertação do líder opositor e questionam o papel dos mandatários atuais

O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2015 | 11h15

WASHINGTON - Os Estados Unidos expressaram nesta terça-feira sua inquietação sobre as possíveis pressões políticas sofridas por Franklin Neves, ex-promotor responsável pelo caso do opositor do governo venezuelano Leopoldo López, e afirmou que o fato coloca em dúvida "a independência judicial" no país.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby, divulgou um comunicado em resposta às declarações de Nieves, que por mais de um ano se dedicou, ao lado de outros dois promotores, a formular as acusações contra López.

Nieves publicou um vídeo na sexta-feira anunciando que havia deixado a Venezuela em razão da "pressão" que disse ter sofrido por parte do governo e de seus superiores para acusar López com "provas falsas".

"Se forem verdadeiras, essas declarações sublinham a falta de independência judicial e do direito ao processo legal na Venezuela", afirmou Kirby. "Pedimos ao governo venezuelano para respeitar os direitos de todos os prisioneiros públicos e garantir um julgamento justo e transparente, de acordo com a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, a Carta Democrática Interamericana e a Constituição do país", acrescentou o porta-voz.

Kirby reiterou o pedido americano para que "o governo liberte todos os venezuelanos presos por razões políticas, incluindo Leopoldo López".

Em declarações divulgadas hoje pelo The Wall Street Journal, Nieves reiterou que o julgamento deve ser cancelado, porque o político, detido desde fevereiro de 2014 e condenado no mês passado a 14 anos de prisão, é "inocente".

"Do fundo do meu coração, quero pedir perdão à Venezuela, a Leopoldo López, sua mulher e família, e especialmente a seus filhos", afirmou o ex-promotor.

Segundo o jornal americano, Nieves está com sua esposa e as duas filhas em Miami, onde a família busca asilo político.

Ontem, a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, negou as acusações de Nieves e descartou a possibilidade de elas terem alguma "consequência judicial que beneficie López".

Apoio a López. Sete ex-presidentes latinoamericanos pediram nesta quarta-feira, 28, observação internacional nas eleições venezuelanas de dezembro e exigiram a libertação de López.

Jorge Quiroga, da Bolívia; Andrés Pastrana, da Colômbia; Laura Chinchilla, da Costa Rica; Ricardo Lagos, do Chile; Felipe Calderón, do México; Alejandro Toledo, do Peru, e Luis Alberto Lacalle, do Uruguai, participaram de uma reunião do Clube de Madri, na capital da Espanha, e fizeram uma declaração conjunta sobre a situação da Venezuela.

“A petição é clara e unânime: libertem Leopoldo López e os demais venezuelanos presos”, reiterou Calderón, às margens de algumas conferências sobre “extremismo violento” organizadas pelo Clube que se dedicam a promover a democracia no mundo.

Os políticos pediram que sejam anulados os “processos fraudados” e a “perseguição” ao líder Leopoldo López e a todos os opositores do regime. Eles ainda afirmaram que não seria lógico o Conselho de Direitos Humanos da ONU aceitar o regime venezuelano, que “persegue a oposição, criminaliza a dissidência e não respeita a livre expressão”.

Ricardo Lagos afirmou que “onde se violam os direitos humanos é uma obrigação dos democratas levantar a voz”, complementando a fala de Alejandro Toledo, que insistiu que “os direitos humanos são universais” e “não têm nacionalidade”. Pedir que esses direitos sejam respeitados na Venezuela não é intervir em seus assuntos, destacou Toledo.

Os ex-presidentes lamentaram também o silêncio oficial dos líderes latinoamericanos atuais com relação à situação de López. Felipe Calderón pediu que os governos democráticos “rompam o silêncio” diante deste “abuso”, em referência às declarações de Nieves.

“O que os presidentes da América Latina pensaram quando o promotor disse que esse é um julgamento falso?”, questionou Andrés Pastrana. /EFE e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.