EUA se preparam para evitar problemas na votação

Funcionários que trabalharão nas eleições de hoje nos Estados Unidos se preparavam para recordes de comparecimento, em uma corrida presidencial histórica. Os encarregados buscam evitar longas filas e os problemas em urnas eletrônicas que marcaram disputas anteriores pela Casa Branca. O republicano John McCain e o democrata Barack Obama disputam a sucessão de George W. Bush.Processos de pessoas que dizem não ter conseguido participar da eleição foram iniciados no Estado da Virgínia. Um juiz se recusou a estender o horário de votação e também a enviar urnas eletrônicas para redutos de maioria negra em algumas áreas. O grupo de direitos civis National Association for the Advancement of Colored People pedia essas mudanças em um processo federal, argumentando que algumas zonas em que se concentram minorias teriam comparecimento recorde e seriam prejudicadas pela falta de urnas eletrônicas.O juiz distrital Richard Williams negou a moção. Mas mandou os funcionários informarem que as pessoas nas filas das seções eleitorais perto do fim da votação terão o direito de votar. A campanha de McCain entrou com um processo contra o comitê eleitoral da Virgínia. Os republicanos querem que os votos dos militares que chegarem mais tarde também sejam incluídos na contagem final. Um ex-prisioneiro da Guerra do Vietnã, McCain pede que sejam computados os votos que chegarem até 14 de novembro.Os processos tornaram-se comuns nas batalhas eleitorais norte-americanas. Em 2000, as eleições foram decididas em parte pela Suprema Corte, que ordenou o fim da recontagem na Flórida, levando o republicano George W. Bush a bater Al Gore. Em Ohio, houve vários problemas com mau funcionamento das urnas, o que levou a outros processos.Há mais de 7 mil seções eleitorais espalhadas pelo país e é aguardado um número recorde de participantes. Já houve grandes filas em vários Estados nos quais ocorreu votação antecipada, entre eles a Flórida, a Geórgia e o Colorado. O número de eleitores registrado subiu 7,3% em relação à eleição presidencial anterior. Entre os democratas, o número de registrados subiu 12,2%, enquanto entre os republicanos subiu apenas 1,2%.Perto de 50% dos que comparecerão às urnas votarão sob um novo sistema - que para alguns pode confundir as pessoas. Há advogados dos dois maiores partidos para monitorar os locais de votação, em busca de alguma eventual fraude ou intimidação. O questionamento a algumas pessoas sobre seu direito de votar levou alguns funcionários a esclarecer as regras sobre esse questionamento. Em Ohio, por exemplo, foi enviada uma nota afirmando que os funcionários podem se aproximar dos eleitores com dificuldades para votar.Foram enviadas urnas convencionais e eletrônicas extras para vários pontos do país, mas muitos temem que isso seja insuficiente. "Nós temos um sistema tradicionalmente preparado para o baixo comparecimento", afirmou Tova Wang, do grupo Common Cause. "Nós teremos todos esses novos eleitores, porém não muitos novos recursos. Os encarregados da eleição têm pouco com o que trabalhar", criticou.

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