EUA se recusam a receber enviados do governo de facto hondurenho

Departamento de Estado diz ''não reconhecer'' comando em Tegucigalpa; Hillary encontra-se hoje com Zelaya

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2009 | 00h00

O Departamento de Estado dos EUA não se reunirá com a missão enviada a Washington pelo governo de facto de Honduras. Já o presidente deposto, Manuel Zelaya, deve ser recebido hoje pela secretária de Estado, Hillary Clinton. "Não sabemos de nenhuma delegação vindo para cá. Mas, se for do regime de facto, o Departamento de Estado não se reunirá com eles", disse o porta-voz da chancelaria americana, Ian Kelly, explicando que se trata de um governo que os EUA não reconhecem. Ele acrescentou que o objetivo americano "continua a ser a restauração da ordem democrática em Honduras". "Renovamos nosso pedido para que todas as partes encontrem uma solução pacífica", afirmou Kelly.     Veja também: Golpes se sucederam até anos 80 Grupos pró e contra Zelaya inflam números de protestos Golpistas não sobreviverão a isolamento, prevê Amorim Impedido de voltar a Honduras, Zelaya se reunirá com Hillary Zelaya disse ontem que tentará de novo voltar a Honduras: "Disso não há dúvidas. Só não vou dizer como, senão eles vão se preparar."Os dois lados reclamam da falta de envolvimento americano na crise. No dia seguinte à deposição de Zelaya, o presidente dos EUA, Barack Obama, qualificou o ato de "ilegal" e Hillary reiterou que se tratava de um golpe. Depois, os americanos tornaram-se coadjuvantes, atuando apenas no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA).Segundo o analista político hondurenho Graco Pérez, "Obama tem outras prioridades e não dá a atenção necessária à questão hondurenha"."Se Obama não conseguir resolver a crise em Honduras, imagine como se sairá ao negociar o conflito entre israelenses e palestinos", disse Kevin Casas, do Brookings Latin America Initiative, em Washington, para a TV CNN. A saída para a crise, segundo analistas em Honduras e nos EUA, passa pela convocação de eleições antecipadas. Os candidatos dos principais partidos já foram definidos e o governo do presidente autoproclamado, Roberto Micheletti, disse-se disposto a realizar a votação antes da data prevista, em novembro. Em Honduras, o governo manteve uma série de medidas restritivas como o toque de recolher (a partir das 22 horas). O aeroporto de Tegucigalpa foi fechado para voos comerciais por 24 horas. Os aliados de Zelaya fizeram uma manifestação com cerca de 2 mil pessoas e professores iniciaram uma greve em apoio ao presidente deposto. Os partidários de Micheletti convocaram para hoje uma série de atos em diversas cidades. Depois de um domingo tenso, no qual o avião que transportava Zelaya tentou pousar no aeroporto de Tegucigalpa e choques deixaram pelo menos um morto, as ruas da capital hondurenha estavam calmas ontem. Zelaya foi deposto dia 28. O governo de facto, com apoio do Congresso, das Forças Armadas e da Corte Suprema, acusa o presidente de ter desrespeitado a Constituição ao convocar uma consulta popular para mudar a Carta e tentar permanecer no poder.CRONOLOGIA2005 - Manuel Zelaya vence a eleição presidencial2009 - Às vésperas do fim de seu mandato, Zelaya convoca uma consulta popular para alterar a Constituição23 de junho - Parlamento rejeita consulta. Suprema Corte e Exército declaram votação ilegal28 de junho - Presidente é derrubado e enviado para Costa Rica29 de junho - Confrontos são registrados em TegucigalpaQuarta-feira - OEA dá 72 horas para que governo de facto de Honduras restitua ZelayaSexta-feira - Secretário-geral da OEA vai a Honduras e ameaça governo de facto com suspensão da entidade. Governo rejeita restituir presidência a ZelayaDomingo - OEA aprova suspensão de Honduras da organização e presidente deposto tenta voltar a TegucigalpaOntem - Departamento de Estado dos EUA diz que não se reunirá com a missão enviada a Washington pelo governo de facto de Honduras

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