EUA seguem sem assessores para a região

Senado sai em recesso antes de aprovar nomes-chave para América Latina

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

O governo do presidente americano, Barack Obama, terá de esperar até setembro para conseguir, finalmente, ter um responsável pela política para a América Latina. Há pelo menos sete meses Obama tenta, sem sucesso, aprovar no Congresso a indicação de seus assessores para a região. A indecisão ocorre no momento em que o continente enfrenta duas crises: o golpe em Honduras e os atritos entre colombianos, venezuelanos e equatorianos.A nomeação de Arturo Valenzuela para o cargo de subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, que dá as diretrizes do governo para América Latina, ainda não foi votada no Senado, e Thomas Shannon, indicado para o posto de embaixador em Brasília, está na mesma situação. Como o Congresso dos EUA entrou em recesso ontem - e volta só em setembro -, a nomeação de ambos só será votada quando os senadores retornarem ao trabalho. Assim, durante mais da metade do primeiro ano do governo de Obama, os EUA não terão um responsável pela América Latina. Segundo análise do Council of the Américas, "há uma frustração no Departamento de Estado" pela não aprovação de Valenzuela. A falta de "um time" para lidar com as questões latino-americanas tem sido criticada por analistas e políticos dos dois partidos. Envolvido por questões prioritárias, como as guerras no Iraque e no Afeganistão, o conflito entre israelenses e palestinos e a nuclearização da Coréia do Norte e do Irã, Obama ficou praticamente órfão de assessores para a América Latina. Na crise de Honduras, os americanos tiveram de encaminhar o problema para o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e para a Organização dos Estados Americanos (OEA).A estratégia para a resolução da crise em Honduras é criticada por políticos republicanos. Os senadores Jim DeMint e Richard Lugar ameaçam continuar colocando obstáculos à aprovação dos assessores, conforme permite o regimento do Senado, até que o Departamento de Estado esclareça a sua política para a crise hondurenha. Os republicanos argumentam que o presidente deposto, Manuel Zelaya, desrespeitou a Constituição e sua remoção não pode ser classificada como golpe de Estado. Em seu blog, DeMint afirma que Valenzuela apoiou "as táticas inconstitucionais de Zelaya". No caso de Shannon, o problema é a tarifa de importação imposta pelos EUA ao etanol brasileiro. O embaixador nomeado defende o fim do imposto, enquanto senadores republicanos afirmam que isso poderia prejudicar os produtores de milho dos Estados de Illinois e Iowa. Para tentar acelerar a aprovação de seus assessores, o governo Obama teve de dizer publicamente que não mexerá na tarifa.

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