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EUA seriam os mais prejudicados em caso de sanções, diz Maduro

Presidente venezuelano promete vender petróleo 'para o outro lado' caso país seja punido

O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2014 | 10h39

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na terça-feira, 18, que os Estados Unidos seriam os mais prejudicados caso resolvessem aplicar sanções contra seu país. Maduro disse ainda que  caso Washington decida não comprar mais o petróleo venezuelano, a commodity será vendida para o "outro lado", em um referência velada à China, que já consome boa parte das exportações venezuelanas.

"O mais prejudicado em uma escalada de sanções seriam os Estados Unidos, sua sociedade, seus empresários, seu povo. Tomara que não entrem por esse caminho para que mostremos o que não queremos, que eles seriam os mais prejudicados", disse Maduro em seu programa de rádio semanal." O petróleo que eles não comprarem da Venezuela será vendido para outro lado."

De acordo com Maduro, uma possível troca de cliente beneficiaria seu país. "De repente, conseguimos até um preço melhor, não temos problemas, nós somos livres", afirmou o líder venezuelano. "É uma estupidez da extrema direita, pensar em leis contra a Venezuela."

Os Estados Unidos evitaram na segunda-feira responder à oferta de Maduro de começar um diálogo bilateral sobre os protestos que há mais de um mês acontecem na Venezuela, mas insistiu que é "essencial" a mediação de uma terceira parte para resolver as tensões entre governo e oposição.

Maduro propõe um diálogo entre um interlocutor americano e o emissário venezuelano - que seria o presidente do parlamento, o governista Diosdado Cabello - para tratar junto com uma representação da Unasul a crise nacional que a Venezuela atribui aos EUA e tentar reduzir as tensões bilaterais.

As tensões entre EUA e Venezuela aumentaram na semana passada depois que o secretário de Estado americano, John Kerry, revelou que seu governo cogita de impor sanções contra funcionários do governo venezuelano se não houver avanços no diálogo.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elías Jaua, chamou Kerry na sexta-feira de "assassino do povo venezuelano", acusação que o Departamento de Estado qualificou como absurda. Para a diplomacia americana,a Venezuela "falta descaradamente com a verdade".

Os protestos contra o governo de Maduro começaram há cerca de cinco semanas e já deixaram 29 mortos. / EFE

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