Ahn Young-joon/AP
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EUA, Seul e Japão elevam alerta sob temor de teste de míssil norte-coreano

Coreia do Sul  afirma que probabilidade de Pyongyang lançar projétil 'a qualquer momento' é alta

CLÁUDIA TREVISAN / ENVIADA ESPECIAL,

10 de abril de 2013 | 11h25

 PYONGYANG - Estados Unidos e Coreia do Sul avaliaram nesta quarta-feira, 10,  que Pyongyang poderá lançar um míssil "a qualquer momento", o que agravaria ainda mais a tensão na península coreana. Os dois países e o Japão reforçaram as medidas de monitoramento e defesa, para reagir caso o foguete se dirija a seus territórios.

 

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O ministro das Relações Exteriores de Seul, Yun Byung-se, afirmou que o míssil tem alcance de 3.5 mil km, o suficiente para atingir Coreia do Sul, Japão ou a ilha norte-americana de Guam, localizada no Pacífico. Segundo ele, o foguete batizado de Musudan está pronto para ser disparado da costa Leste da Coreia do Norte.

 

 Autoridades japonesas anunciaram o posicionamento de baterias de defesa antiaérea em Tóquio e no Mar do Japão. Fontes do Pentágono disseram  à CNN que existem indícios de que o regime de Kim Jong-un poderá realizar "múltiplos lançamentos de mísseis" nos próximos dias. 

 

Na semana passada, o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kim Kwan-jin, avaliou que eventuais disparos de foguetes pelo Norte terão o caráter de testes ou exercícios militares e não serão destinados ao ataque de territórios de países vizinhos ou dos Estados Unidos. 

 

Ontem foi mais um dia de calma em Pyongyang, com crianças e adolescentes jogando futebol ou patinando na praça Kim Il-sung, o coração político da cidade, onde são realizados os grandiosos desfiles militares que se tornaram marca registrada da Coreia do Norte.

 

Representantes diplomáticos e de organizações internacionais comunicaram ao governo do país que pretendem permanecer em Pyongyang, depois de avaliarem que é remota a possibilidade de um conflito armado na região. Autoridades norte-coreanas haviam solicitado que os estrangeiros informassem até ontem os seus eventuais planos de evacuação da cidade. Na hipótese de conflito, o governo disse que irá "respeitar e proteger" os que permanecerem no país.

 

O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul afirmou que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizará um reunião de emergência caso o Norte lance mísseis, já que a ação é proibida por resoluções da entidade.

 

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, chega amanhã à Coreia do Sul para discutir a situação na região com o governo de Seul. Os dois países lutaram juntos na Guerra da Coreia (1950-1953) contra o Norte e até hoje os Estados Unidos têm 28 mil soldados estacionados no Sul.

 

Pyongyang se prepara para as celebrações, na segunda-feira, dos 101 anos de nascimento de Kim Il-sung, o fundador do país idolatrado pela população e apresentado como um semideus pela massiva propaganda oficial.

 

A data é a mais importante para os norte-coreanos e, no ano passado, foi precedida do lançamento de um foguete que o Conselho de Segurança da ONU considerou como um teste de míssil balístico intercontinental.

 

Com a retórica bélica cada vez mais estridente da Coreia do Norte, é possível que o país realize um gesto militar de impacto para marcar a data e fortalecer a posição do jovem líder Kim Jong-un, de 30 anos, que chegou ao poder em dezembro de 2011.

 

O país já realizou três testes nucleares, o mais recente no dia 12 de fevereiro, sempre em oposição a resoluções do Conselho de Segurança da ONU. E dezembro, os norte-coreanos conseguiram lançar um foguete de longo alcance, supostamente para a colocação em órbita de um satélite.  A ação foi condenada pelo Conselho de Segurança, que a viu como um teste de míssil balístico intercontinental.

 

A tensão na região se intensificou há pouco mais de um mês, quando Estados Unidos e Coreia do Sul deram início a exercícios militares massivos que realizam todos os anos. Mas desta vez os norte-americanos realizaram uma exibição de poderio militar, levando à região alguns de seus mais sofisticados armamentos, incluindo um submarino nuclear e os bombardeiros "invisíveis" B-2, capazes de entrarem em território adversário sem serem detectados.

 

O governo de Pyongyang viu nas manobras uma preparação para a invasão de seu território e reagiu com uma retórica estridente mesmo para os padrões hiperbólicos que caracteriza a linguagem dos dirigentes norte-coreanos.

 

O regime de Kim Jong-un abandonou o armistício que colocou fim à Guerra da Coreia em 1953, anunciou a reabilitação do complexo nuclear Yongbyon e ameaçou realizar "ataques preventivos" com bombas atômicas contra os Estados Unidos.


 

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