Jon Nazca / Reuters
Jon Nazca / Reuters

Gibraltar libera navio petroleiro iraniano que EUA tentavam confiscar

Washington havia enviado ao território britânico um pedido para que o petroleiro fosse retido por mais tempo

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 06h51
Atualizado 14 de fevereiro de 2020 | 12h20

GIBRALTAR, REINO UNIDO - As autoridades de Gibraltar liberaram nesta quinta-feira, 15, um petroleiro iraniano detido no início de julho, apesar de uma solicitação de última hora dos Estados Unidos para prolongar a imobilização da embarcação. O navio era suspeito de ter tentado levar petróleo para a Síria.

O chefe de governo de Gibraltar, Fabian Picardo, disse ter recebido por escrito a promessa do Irã de que a carga do Grace I – 2,1 milhões de barris de petróleo – não será destinada para a Síria, que está sob embargo da União Europeia (UE).

Atendendo à solicitação das autoridades do território britânico, a Suprema Corte suspendeu o apresamento do navio. Inicialmente prevista para ocorrer pela manhã, a audiência agendada havia duas semanas teve de ser adiada por várias horas, após a Procuradoria de Gibraltar informar que os EUA tinham solicitado que a retenção do petroleiro iraniano fosse prolongada.

“A tentativa de pirataria” americana fracassou, celebrou no Twitter o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, criticando “o nível de desprezo que o governo Trump tem pela lei”. Segundo ele, os EUA “tentaram abusar do sistema judiciário e roubar os bens em alto-mar”.

O capitão e os três oficiais do Grace I, que se encontravam em liberdade sob fiança, foram formalmente liberados. O petroleiro foi capturado em 4 de julho pela polícia de Gibraltar e por forças especiais britânicas, o que provocou uma crise diplomática entre Teerã e Londres, já que Gibraltar é um território sob domínio britânico.

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Em 19 de julho, o Irã reteve o cargueiro britânico Stena Impero no Estreito de Ormuz, alegando desrespeito do código marítimo internacional. A decisão foi vista como uma represália.

Nesta quinta, o Reino Unido voltou a pedir a Teerã que libere sua embarcação.

O aumento das tensões diplomáticas ofuscaram os esforços dos países europeus para salvar o acordo nuclear com o Irã, que os EUA abandonaram unilateralmente em 2018. / AFP

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