Jae C. Hong/AP
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EUA superam 900 mil mortes por covid-19 desde o início da pandemia

Balanço tinha atingido 800 mil mortos em meados de dezembro, apenas um mês e meio atrás; taxa de mortalidade subiu 30% nas últimas duas semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2022 | 19h46
Atualizado 04 de fevereiro de 2022 | 20h22

WASHINGTON - O número de mortos nos Estados Unidos pela covid-19 superou os 900 mil nesta sexta-feira, 4, segundo a Universidade Johns Hopkins, que faz o rastreamento da pandemia do coronavírus. Mais de 2,6 mil americanos estão morrendo de covid-19 a cada dia, uma alarmante taxa de mortalidade que subiu 30% nas últimas duas semanas.

O balanço tinha atingido 800 mil mortos em meados de dezembro, apenas um mês e meio atrás. Os novos casos vinculados à variante Ômicron estão em queda, mas os óbitos diários ainda estão em ascensão, segundo cifras oficiais.

O total de dois anos, compilado pela universidade, é maior do que a população de Indianápolis, de São Francisco ou de Charlotte (Carolina do Norte). O marco é superado mais de 13 meses depois de uma campanha de vacinação que foi assolada por desinformação e conflitos políticos e legais, embora as injeções tenham se mostrado seguras e altamente eficazes na prevenção de doenças graves e morte.

"É um número astronomicamente alto. Se você tivesse dito à maioria dos americanos dois anos atrás, quando essa pandemia estava começando, que 900 mil morreriam nos próximos anos, acho que ela não teria acreditado", disse Ashish K. Jha, reitor da Brown Escola Universitária de Saúde Pública. 

Ele lamentou que a maioria das mortes tenha acontecido depois que a vacina ganhou autorização. "Nós acertamos a ciência médica. Falhamos na ciência social. Falhamos em como ajudar as pessoas a serem vacinadas, a combater a desinformação, a não politizar isso", disse Jha. "Esses são os lugares onde falhamos como América." 

Apenas 64% da população está totalmente vacinada, ou cerca de 212 milhões de americanos, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Esperança 

Apesar do alto número de mortos, o de novas infecções por coronavírus está despencando, caindo mais da metade desde meados de janeiro. As hospitalizações também estão diminuindo, um alívio para os profissionais de saúde estressados ​​que tratam pacientes com coronavírus há quase dois anos.

Tudo isso criou um momento desorientador na pandemia: embora as mortes ainda estejam aumentando, a ameaça do vírus está se movendo, por enquanto, mais para o segundo plano da vida cotidiana de muitos americanos.

Patrick Tracy, de Mundelein, Illinois, viu essa desconexão de perto. Em seu condado, novas infecções caíram nas últimas semanas, pois a variante Ômicron altamente infecciosa começou a recuar em todo o país. Mas com as taxas de casos caindo, a mulher de Tracy, Sheila, de 81 anos, morreu de covid.

A variante Ômicron trouxe consigo uma onda de morte especialmente potente e rápida nos EUA. A taxa de mortalidade per capita do país ainda supera a de outras nações ricas, um reflexo da resistência generalizada a vacinas e às doses de reforço. Durante o surto de Ômicron, as internações nos EUA foram maiores do que na Europa Ocidental.

O ritmo de mortes em todo o país acelerou ao longo do outono e inverno (Hemisfério Norte). Quando os EUA atingiram 800 mil mortes em meados de dezembro, as 100 mil mortes mais recentes ocorreram em menos de 11 semanas. Desta vez, as últimas 100 mil mortes – muitas da variante Ômicron – foram relatadas em pouco mais de sete semanas.

As mortes nas últimas sete semanas foram relatadas principalmente no sudoeste e ao redor dos Grandes Lagos. Grande parte do centro-oeste, nordeste e sudoeste já sofria grandes surtos alimentados pela variante Delta em dezembro, antes que o Ômicron se tornasse dominante. É possível que muitas das mortes mais recentes nessas regiões tenham sido causadas pela Delta.

Há um mês, quando o aumento de Ômicron estava levando os casos a recordes, milhões de americanos estavam doentes, os testes de covid eram difíceis de obter e os diretores de saúde pública pediram cautela à medida que os hospitais enchiam. Nas semanas seguintes, à medida que as perspectivas melhoraram, a sensação de alarme diminuiu.

Em Cleveland e Detroit, onde as escolas públicas mudaram brevemente o ensino online por causa do Ômicron, os alunos voltaram para as salas de aula. Em Chicago, os líderes da cidade disseram que considerariam suspender uma regra que exige vacinação para refeições em ambientes fechados nas próximas semanas.

A mensagem agora é mais otimista em relação às próximas semanas, mas fundamentada em uma realidade mais sóbria. O país está entrando em uma nova fase da pandemia, dizem as autoridades, na qual uma ameaça de vírus persistirá indefinidamente, mas na qual a maioria das pessoas pode contar com vacinas para protegê-las das piores consequências./AP, NYT 

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