EUA: Suprema Corte se abstém de apelação sobre injeção letal

A Suprema Corte americana rejeitou nesta segunda-feira a apelação dos advogados de um condenado à morte do Estado do Tennessee, que afirmam que uma das drogas usadas na injeção letal constitui uma punição cruel e portanto, inconstitucional. Os advogados de Abu-Ali Abdur´Rahman, condenado à morte pelo assassinato de um traficante de drogas em Nashville, em 1986, durante um assalto à mão armada, alegam que um dos compostos usados na injeção inflige uma dor extrema, e que 30 Estados do país, inclusive o Tennessee, proibiram seu uso para sacrificar animais. Em 37 dos 38 Estados onde a pena de morte está vigente - no Nebraska, ainda se usa a cadeira elétrica -, o método empregado nas execuções é a injeção letal formada por uma combinação de compostos químicos. A injeção letal é realizada com a administração de três compostos: o pentotal sódico, um anestésico para deixar o condenado inconsciente; bromuro de pancurônio, que paralisa todos os músculos exceto o coração; e cloruro de potássio, que pára o coração e causa a morte. Os advogados de Abdur´Rahman alegaram que o pentotal pode não surtir efeito e isso permite que o condenado sinta uma dor intensa, ainda que não possa reagir já que seus músculos estão paralisados pelo bromuro de pancurônio.Desde que a pena de morte foi estabelecida nos EUA, em 1976, mais de mil pessoas já foram executadas. Atualmente 3.370 esperam no corredor da morte. Um grupo de médicos do Tennessee afirma que a combinação de drogas usadas no Estado "torna inevitável que, com o tempo, alguns presos sintam dor intensa e desnecessária". Eles também dizem que o Estado não possui oficiais com treinamento médico adequado para monitorar os condenados durante a aplicação das injeções. O Supremo Tribunal já havia escutado argumentos similares em um caso na Flórida, sobre o qual emitirá um veredicto no final de junho. A Justiça decidirá também no mês que vem se prisioneiros podem apelar contra suas sentenças, alegando que o uso da injeção letal seria cruel. A Constituição americana proíbe o que classifica como "castigos cruéis e inumanos", mas muitos defensores do fim da pena de morte argumentam que o documento não assegura uma morte indolor aos condenados.

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