EUA: suspeito por morte de modelo mirim não será indiciado

Promotores responsáveis pela apuração da morte da modelo mirim americana JonBenet Ramsey optaram por retirar as acusações contra John Mark Karr, até então principal suspeito de ter assassinado brutalmente a menina de seis anos. A decisão, anunciada pela defensa de Karr nesta segunda-feira e confirmada pela acusação instantes mais tarde, veio horas depois de análises de DNA mostrarem que não há evidências que comprovem a passagem de Karr pela cena do crime. O professor de 41 anos até então visto como principal suspeito pelo assassinato insistia ter estado no local quando a garota foi morta, há dez anos. Karr será mantido preso em Boulder até que seja transferido para a Califórnia, Estado em que enfrenta acusações de pornografia infantil.A decisão vem apenas uma semana e meia depois da prisão de Karr na Tailândia. Após a detenção, ele foi deportado para os Estados Unidas. A notícia representou uma reviravolta em um caso há 10 anos sem solução e cujas suspeitas recaíram sobre os pais da menina.Segundo a promotora distrital Mary Lacy, Karr surgiu como suspeito em abril, após passar vários meses trocando e-mails e mais tarde ligações telefônicas com um professor do Colorado. Nos contatos, ele reivindicava a responsabilidade pelo assassinato.De acordo com os autos da investigação, Karr teria dito que matara a menina enquanto fazia sexo com ela, e que provou o sangue da garota após machucá-la. No entanto, testes de DNA realizadas por laboratórios de Denver descartaram a possibilidade de que o professor esteja falando a verdade."Essa informação é crítica, porque se as declarações de Karr sobre seu envolvimento sexual com a garota fossem verdadeiras, seria amplamente provável que vestígios de sua saliva fossem encontrados", escreve Lacy em suas conclusões sobre a investigação.A promotora disse ainda que as autoridades não encontraram evidências de que Karr estava em Boulder na época do crime. A ex-mulher do professor já havia garantido ter estado com ele em outro Estado no mesmo dia dos acontecimentos.O defensor público Seth Temin expressou ultraje pela prisão de Karr. "Estamos profundamente incomodados pelo fato de terem pego e arrastado esse homem da Tailândia até aqui sem evidências forenses confirmando as alegações contra ele", disse Temin.Lacy, no entanto, defendeu a prisão. Para ela, não haveria outra forma de retirar amostras de saliva de Karr sem detê-lo. Texto ampliado às 19h40

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