Eric BARADAT / AFP
Eric BARADAT / AFP

EUA suspendem acordo de controle de armas nucleares com a Rússia

Governo americano diz que abandonará em seis meses o tratado assinado em 1987, que estabeleceu eliminação de mísseis nucleares e convencionais de alcances curto e intermediário por ambos os países, se Moscou não voltar a respeitá-lo

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2019 | 12h20
Atualizado 01 de fevereiro de 2019 | 22h16

WASHINGTON - Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira, 1º, sua retirada do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com a Rússia sobre as armas nucleares de alcance intermediário, um marco da Guerra Fria, acusando Moscou de não cumpri-lo.

A partir de sábado, os "Estados Unidos suspenderão suas obrigações no marco do Tratado INF e começará o processo de retirada", que deve ser concluído em seis meses, "a não ser que a Rússia volte a respeitá-lo destruindo todos os mísseis, lançadores e equipamentos que violam o texto", disse o presidente americano, Donald Trump, em comunicado.

"Durante muito tempo a Rússia violou com impunidade o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), desenvolvendo e implementando secretamente um sistema de mísseis proibidos que representam uma ameaça direta aos nossos aliados e tropas no exterior", afirmou Trump.

O presidente americano disse que seu país começará a desenvolver "opções de resposta militar" e trabalhará com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para adaptar-se à nova situação causada pela suspensão da participação no acordo.

"Desenvolveremos nossas próprias opções de resposta militar e trabalharemos com a Otan e com nossos aliados e sócios para negar para a Rússia qualquer vantagem militar derivada de sua conduta ilegal", completou Trump.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, garantiu, no entanto, que Washington está pronto para continuar as conversas com Moscou "sobre a questão do desarmamento".

O tratado negociado pelo então presidente dos EUA Ronald Regan e pelo líder soviético Mikhail Gorbachev em 1987, estabeleceu a eliminação de mísseis nucleares e convencionais de alcances curto e intermediário por ambos os países. 

EUA e Rússia se acusam mutuamente de violar o tratado, que proíbe os dois países signatários de fabricar, desenvolver ou testar mísseis de curto alcance (500 km a 1.000 km) e de médio alcance (1.000 km a 5.000 km).

Desde que Trump ameaçou em outubro suspender o pacto, os EUA mantiveram várias negociações com a Rússia para tentar chegar a um acordo. A última rodada terminou sem êxito na quinta-feira, 31.

O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Riabkov, alertou que a suspensão do tratado "significa, de fato, que os EUA se libera de qualquer tipo de restrição" e que "no pior dos cenários, agora mesmo podem aparecer em terra 24 mísseis de cruzeiro Tomahawk com cargas nucelares". / AFP e EFE

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