EUA suspendem envio de armas a rebeldes sírios

Grã-Bretanha acompanha decisão, motivada pela captura dos arsenais não letais por grupos radicais islâmicos no norte do país

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington,

11 Dezembro 2013 | 23h52

WASHINGTON - Em mais um indício das dificuldades que os EUA enfrentam na guerra civil síria, autoridades americanas anunciaram ontem a suspensão da ajuda militar não letal a rebeldes que atuam no norte do país, depois que bases na região passaram a ser controladas por extremistas islâmicos que lutam contra o regime de Bashar Assad.

Equipamentos fornecidos por americanos eram destinados ao Exército Sírio Livre (ESL), o grupo laico de oposição à ditadura síria, visto como confiável pelos EUA e seus aliados ocidentais. No entanto, na semana passada, as posições que o ESL mantinha no norte do país foram atacadas por rebeldes islamistas.

As baixas do ESL incluíam depósitos próximos da fronteira com a Turquia onde estavam armazenados equipamentos fornecidos pelos americanos. Os locais estariam agora sob controle da Frente Islâmica, uma aliança de sete grupos rebeldes que defende a criação de um Estado islâmico ortodoxo na Síria. Apesar de não ser filiada à Al-Qaeda, sua posição radical é rejeitada pelos EUA.

Em visita ao Catar, na terça-feira, o secretario de Defesa, Chuck Hagel, reconheceu as dificuldades de apoio ao ESL. Segundo ele, a oposição síria é extremamente dividida e inclui grupos terroristas. Muitos deles contam com apoio de países aliados dos EUA no Oriente Médio, enquanto o Irã ajuda a sustentar o regime de Assad.

Desde seu início, há dois anos e sete meses, a guerra civil síria provocou a morte de pelo menos 100 mil pessoas e transformou mais de 2,2 milhões em refugiados, número que corresponde a 10% da população do país. Cerca de 9,3 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, confirmou ontem que os EUA suspenderam toda a entrega de assistência não letal aos rebeldes que atuam no norte da Síria. Esse tipo de ajuda inclui equipamentos de comunicação, medicamentos, coletes à prova de bala e veículos.

A Grã-Bretanha também anunciou ontem a interrupção desse tipo de assistência. "Nós não temos mais nenhum plano de entregar equipamentos enquanto a situação permanecer confusa", disse um porta-voz da embaixada britânica em Ancara, na Turquia.

DIPLOMACIA

Segundo Earnest, a decisão não afeta a entrega de ajuda humanitária, para a qual os EUA destinaram US$ 1,3 bilhão desde o início da crise. A entrega de equipamento não letal aos rebeldes recebeu uma cifra mais modesta, de US$ 250 milhões, anunciada em setembro.

O porta-voz do ESL, Louay Meqdad, lamentou o anúncio da suspensão do auxílio. "Nós esperamos que nossos amigos repensem (a decisão) e esperem alguns dias até que as coisas fiquem mais claras", declarou. O porta-voz da Embaixada dos EUA em Ankara ressaltou que a suspensão da ajuda não deve ser interpretada como o abandono da disposição do país de apoiar a facção moderada dos rebeldes.

"Nós vamos continuar engajados no esforço humanitário, nós vamos continuar engajados no esforço diplomático", afirmou. "Isso não representa uma mudança de posição no apoio à oposição moderada."

No dia 22 de janeiro será realizada a segunda conferência em Genebra para buscar uma solução negociada para o conflito. Apesar de defender uma saída diplomática, Washington sustenta que ela deve, necessariamente, incluir o fim da ditadura de Assad.

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