EUA suspendem voos que retiravam feridos do Haiti

Os militares dos Estados Unidos suspenderam os voos para retirar haitianos feridos pelo terremoto do dia 12, após divergências sobre os custos da operação, informou o jornal The New York Times neste sábado. Mais de um milhão de pessoas ficaram desabrigadas em razão do forte tremor que atingiu o país.

AE, Agencia Estado

30 de janeiro de 2010 | 18h07

O New York Times afirmou que os voos levando pessoas com ferimentos na coluna, queimaduras e outros problemas se encerraram na quarta-feira. Isso ocorreu após o governador da Califórnia, Charlie Crist, pedir ao governo federal que assumisse uma parte do custo dessa ajuda.

Outros Estados que levaram pacientes nesses voos também já suspenderam a iniciativa, afirmou o diário, que atribuiu a informação a funcionários que pediram anonimato. Segundo essas fontes, o custo desse auxílio deve chegar a milhões de dólares.

Hospitais na Flórida trataram mais de 500 vítimas do Haiti. Os EUA e as Nações Unidas têm liderado os esforços para ajudar o país caribenho, após o violento terremoto de magnitude 7,0 na escala Richter, que matou pelo menos 170 mil pessoas, feriu outras 200 mil e destruiu boa parte da capital haitiana.

O esforço de ajuda, porém, recebeu críticas pela falta de coordenação. Alguns líderes de esquerda latino-americanos, além disso, criticaram o fato de Washington enviar 20 mil soldados ao Haiti.

O presidente do Equador, Rafael Correa, deixou o Haiti neste sábado, após uma visita de dois dias. Ele criticou o que chamou de "imperialismo" nos esforços de socorro. "Eles doam primeiro, porém a maioria disso volta para eles", criticou Correa, durante entrevista coletiva conjunta com o presidente haitiano, René Préval. O líder equatoriano criticou os esforços de ajuda dos militares e também de organizações não-governamentais internacionais.

Haitianos vivendo em condições precárias, em campos improvisados em Porto Príncipe, reclamam da lentidão na chegada da ajuda internacional. Já há vários casos de doenças nesses campos, levando agências da ONU a preparar uma campanha de vacinação em massa. A entidade mundial adverte para a possibilidade de uma calamidade de saúde

pública após o terremoto.

Outro problema é a insegurança, com milhares de criminosos soltos após os tremores destruírem cadeias. Há relatos de estupros e outros tipos de violência contra os mais fracos e vulneráveis. Funcionários encarregados da ajuda afirmaram que a reconstrução do Haiti, que já era o país mais pobre das Américas antes da tragédia, deve levar décadas. As informações são da Dow Jones.

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