MAURICIO DUEÑAS/EFE
MAURICIO DUEÑAS/EFE

EUA têm 'clara responsabilidade' por narcotráfico no México, diz Calderón

Presidente mexicano diz que vizinho 'não faz sua parte' para combater problema na fronteira

BBC

27 de outubro de 2010 | 10h33

CIDADE DO MÉXICO - O presidente do México, Felipe Calderón, disse em uma entrevista à BBC que os EUA têm uma "clara responsabilidade" na questão da violência gerada pelo tráfico de drogas no seu país, e que não estão "fazendo a sua parte" para combater esse problema.

Em uma conversa com o jornalista Stephen Sackur no programa de televisão HARDtalk, Calderón argumentou que o vizinho do norte é o maior comprador de drogas dos cartéis mexicanos e o maior fornecedor de armas para eles.

Só no ano passado, a violência gerada pelo narcotráfico resultou na morte de mais de 7 mil pessoas. Desde 2006, as mortes superam 28 mil.

"Estamos vivendo do lado do principal consumidor de drogas do mundo, para quem todo mundo quer vender drogas. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos eliminaram a proibição sobre as armas de assalto em 2004 e isso deu aos criminosos o maior número de armas da história do México", afirmou o líder mexicano.

"Os EUA têm uma clara responsabilidade. Não os culpo por tudo, mas claro que têm uma responsabilidade clara, porque proporcionam o mercado para os traficantes e criminosos, estão proporcionando armas e precisam fazer muito mais em relação à redução do consumo de drogas e para frear o fluxo de armas para o México", disse o mexicano. 

Referendo na Califórnia

As declarações de Calderón foram ao ar uma semana antes de um referendo na Califórnia que decidirá sobre a possibilidade de legalização da maconha no Estado.

A chamada Proposição 19, que permite aos maiores de 21 anos o plantio e posse da droga nos Estado, será votada no dia 2 de novembro. A margem de diferença entre o apoio e a rejeição à proposta é pequena demais para os analistas apontarem uma tendência para o resultado.

A campanha a favor da legalização ganhou um apoio de peso depois que o megainvestidor George Soros anunciou que daria US$ 1 milhão para ajudar a mudar a legislação americana. O bilionário é reconhecido de longa data por sua postura a favor da legalização da maconha.

O tema ocupou as atenções em um encontro de líderes latino-americanos em Cartagena, na Colômbia, com a finalidade de discutir a cooperação na luta contra o tráfico.

Em uma declaração conjunta, o líder mexicano e os presidentes da Colômbia e da Costa Rica, Juan Manuel Santos e Laura Chinchilla, argumentaram que a aprovação da maconha na Califórnia representa uma "mensagem contraditória".

"É confuso para nosso povo ver que, enquanto perdemos vidas e investimos vastos recursos na luta contra a droga, nos países consumidores estão promovendo propostas como o referendo da Califórnia para legalizar a produção, a venda e o consumo da maconha", disse o presidente colombiano.

Em entrevista à imprensa colombiana, Laura Chinchilla disse que a América Central, uma rota de passagem da droga da América do Sul para o norte, também é afetada pela violência do tráfico de drogas. "Se achamos que cada país poderá combater esse problema por conta própria, estamos muito errados", disse.

Calderón também destacou a "ameaça regional" causada pelo problema. "Nosso maior desejo na região é o desenvolvimento, mas nosso maior obstáculo é o crime organizado transnacional, que não conhece fronteiras. Não é possível enfrentar esse problema de forma independente", disse.

 

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