EUA têm de limitar operações, diz líder do Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou que os EUA devem reduzir a visibilidade e a intensidade de suas operações militares, especialmente as noturnas, para diminuir o repúdio do público aos norte-americanos, que contribui para fortalecer o Taleban. As declarações da autoridade fazem parte de uma entrevista concedida ao Washington Post.

AE, Agência Estado

14 de novembro de 2010 | 14h29

"Chegou a hora de reduzir as operações militares. A hora de reduzir a presença de intromissões na vida diária dos afegãos", disse Karzai, que recentemente montou um conselho de paz na tentativa de promover uma conciliação com a cúpula do Taleban. Ele afirmou durante a entrevista que se reuniu com um ou dois integrantes de "alto escalão" da organização há três meses, mas descreveu o processo de paz como nascente, ou um pouco mais do que "desejos mútuos de paz".

Segundo Karzai, sua opinião de que a guerra de nove anos e meio teve um custo muito elevado para a população afegã é compartilhado pelo Taleban. "Eles sentem o mesmo que nós - que muitas pessoas estão sofrendo sem motivo", acrescentou. "As famílias deles próprios estão sofrendo."

O general David Petraeus, comandante das tropas norte-americanas e da Otan no Afeganistão, disse que o reforço de 30 mil soldados dos EUA e milhares de tropas enviadas à guerra no ano passado resultaram em um progresso significativo no combate aos insurgentes afegãos. Nos últimos três meses, mais de 300 líderes insurgentes foram capturados ou mortos, mais de 850 insurgentes de média patente foram mortos e pelo menos 2.170 soldados foram detidos.

O número de civis mortos ou feridos no Afeganistão por causa da guerra cresceu 31% no primeiro semestre de 2010, mas os assassinatos e as explosões promovidas pelo Taleban foram responsáveis por grande parte do aumento, de acordo com dados das Nações Unidas.

O presidente dos EUA, Barack Obama, estipulou julho de 2011 como meta para o início da retirada das tropas do Afeganistão, se houver condições, mas autoridades norte-americanas acreditam que a remoção dos soldados acontecerá mais tarde. As informações são da Associated Press.

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