EUA têm de pressionar Sharon, diz ministro palestino

O plano de paz entre Israel e a Palestina somente começará a dar resultados quando o governo dos Estados Unidos pressionar o governo de Ariel Sharon a cumprir com seus deveres. A avaliação é do ministro do Trabalho da Autoridade Palestina (AP), Gassan Khatib, que em entrevista à Agência Estado alertou que o primeiro-ministro palestino, Mahmud Abbas, terá mais possibilidades de conseguir um cessar-fogo por parte dos grupos armados na Palestina, como o Hamas, se Israel der demonstrações de que irá seguir o plano de paz.Eis os principais trechos da entrevista, concedida na sede da ONU, em Genebra:AE - O que mudou desde a cúpula da semana passada em Ácaba, na Jordânia, entre a AP, Estados Unidos e Israel?Khatib - Em campo, infelizmente nada ocorreu. Israel está adotando ações ainda mais duras contra a população palestina. Houve muita conversa para melhorar a situação que não foi ainda concretizada. Isso está criando uma situação esquizofrênica para os palestinos, que observam uma deterioração do conflito enquanto escutam declarações políticas positivas.AE - Como o sr. avalia o novo comprometimento dos Estados Unidos na região?Khatib - Os contatos de Washington com a Autoridade Palestina foram incrementados. Isso é positivo, mas até agora, os Estados Unidos não conseguiram influenciar a atitude dos israelenses, o que seria fundamental para o processo. Por isso, Israel não cumpriu nenhuma de suas obrigações estipuladas no plano de paz. Imediatamente após a Cúpula de Ácaba, os israelenses retomaram a política de assassinatos, como estamos vendo todos os dias.AE - Mas o governo de Sharon argumenta que os ataques terroristas por parte dos grupos palestinos também não pararam. Abbas pode de fato controlar a situação entre as facções palestinas?Khatib - Depende. Se Israel encerrasse as provocações aos palestinos, incluindo os assassinatos e permitindo a livre circulação de pessoas, a AP teria sucesso em cumprir nossos deveres, incluindo o fim da violência. Mas se as pressões e assassinatos continuarem, será mais difícil influenciar as facções palestinas a aderirem a um cessar-fogo.

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