Jason Decrow/AP
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EUA têm onda de protestos após júri isentar policial que matou negro em NY

Questão racial. Milhares de pessoas marcharam pela segunda noite seguida em diferentes pontos da maior cidade americana; manifestações também foram registradas em outras partes do país, como Washington, Los Angeles, Chicago, Filadélfia e Boston

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2014 | 02h00

A decisão de um grande júri de Nova York de livrar um policial branco de indiciamento pela morte de um negro desarmado foi criticada ontem por liberais e conservadores, provocou protestos em várias cidades dos EUA e levou à convocação de uma marcha contra a violência policial, em Washington, no dia 13.

Ontem, 2 mil pessoas se reuniram em Foley Square, em Manhattan, bloqueando ruas da região. Milhares de manifestantes marcharam em outros pontos da cidade: Ponte do Brooklyn, West Side Highway e Union Square. Em Washington, uma multidão ocupou a ponte que conecta a capital a Arlington. Protestos também foram registrados em Boston, Chicago, Los Angeles, Oakland, Atlanta e Filadélfia.

Na Casa Branca, o presidente Barack Obama fez uma promessa. "Não vamos desistir", afirmou, em referência aos esforços do governo para combater a desconfiança e a tensão racial entre polícia e comunidades negras.

O problema ficou evidente mais uma vez na quarta-feira, quando um grande júri decidiu não indiciar o policial Daniel Pantaleo, que no dia 17 de julho imobilizou o negro Eric Garner com uma "gravata", depois de uma abordagem em razão da venda de cigarros sem pagamento de impostos. Pai de seis filhos, Garner repetiu por 11 vezes a frase "eu não consigo respirar", enquanto era dominado por cinco policiais. Em seguida, ficou inconsciente e morreu.

Sua viúva, Esaw, disse na noite de quarta-feira que não aceitava o pedido de desculpas apresentado pelo policial. "O momento para o remorso era quando meu marido estava gritando para respirar." Eles estavam casados havia 27 anos.

Novos protestos. Manifestantes também protestaram contra a decisão do grande júri na noite de quarta-feira em diferentes pontos de Nova York, onde 83 pessoas foram presas, e em várias cidades americanas. No Congresso, a deputada republicana Cathy McMorris Rogers defendeu a realização de audiência pública sobre a decisão do grande júri.

"O povo americano merece mais respostas sobre o que realmente ocorreu aqui e saber se nosso sistema judicial foi administrado de maneira correta", disse John Boehner, líder republicano na Câmara dos Representantes. Ele ressaltou que as respostas podem vir de audiências públicas ou de investigação do Departamento de Justiça.

A decisão do caso Garner foi anunciada nove dias depois que outro grande júri isentou o policial branco Darren Wilson de responsabilidade pela morte de Michael Brown, jovem negro de 18 anos que estava desarmado quando levou seis tiros em Ferguson, no Missouri, em agosto.

Os episódios provocaram um debate sobre violência policial, racismo e a isenção do Judiciário no julgamento de policiais. Em ambos os casos, o Departamento de Justiça instaurou investigações para apurar se ouve violação de direitos civis por parte dos oficiais envolvidos.

Antes mesmo desses casos, porém, o governo federal já havia iniciado investigações sobre departamentos de polícia em várias cidades. Ontem, o secretário de Justiça, Eric Holder, anunciou que a análise da atuação da polícia de Cleveland, iniciada há um ano, concluiu que houve um padrão de uso excessivo da força de 2010 e 2013 - promotores federais estudaram 600 casos no período. O estudo não incluiu o episódio no qual o policial Timothy Loehmann matou com dois tiros o garoto Tamir Rice, de 12 anos, no dia 22 de novembro. Rice estava em um parque com uma arma de brinquedo.

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