Hamid Forutan/Efe
Hamid Forutan/Efe

EUA têm poucas opções para conter o Irã, dizem analistas

Americanos desacreditam em efeito de nova rodada de sanções na ONU e descartam ataque

Denise Chrispim Marin, correspondente

09 de novembro de 2011 | 21h45

WASHINGTON - Cientes do risco de aumentar a violência no Oriente Médio e nos Estados Unidos, o governo americano deve manter um alto grau de atrito com o Irã e descartar, por enquanto, a opção de atacar, junto com Israel, as instalações nucleares iranianas. De acordo com especialistas do Council on Foreign Relations (CFR), as opções de Washington "não são boas".

 

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Em conferência realizada por telefone, os analistas do CFR Elliot Abrams, Ray Takeyh e Matthew Kroening concordaram com o fato de que os Estados Unidos não levam muita fé em uma quinta rodada de sanções econômicas contra o Irã.

 

As quatro anteriores, aprovadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), desde 2003, não foram suficientes para conter o projeto iraniano de desenvolver armas nucleares, como ficou claro no mais recente relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

Sanções realmente efetivas, segundo os três analistas, teriam de envolver os interesses do Irã no setor petrolífero. Isso acarretaria prejuízos econômicos com os quais os EUA e boa parte do mundo não teriam como arcar no momento. A Rússia já antecipou que rejeita novas retaliações. A China, dependente do petróleo iraniano, deve igualmente vetá-las.

 

A alternativa de buscar um novo diálogo com Teerã, como insistem vários países, é considerada inútil pelos analistas do CFR. Segundo eles, a opção só daria resultados com uma mudança na política interna iraniana. A própria AIEA já deu a entender que o atual governo do Irã desrespeita as leis internacionais e não tem credibilidade.

 

"Os EUA sempre têm a opção militar, dado o seu poder naval e aéreo", afirmou Takeyh. "Mas haverá impactos ligados aos preços internacionais do petróleo, ao alcance dos mísseis do Irã (supostamente até a Europa Ocidental) e de possíveis ataques do Hezbollah." Takeyh lembrou ainda o suposto atentado planejado pelo governo iraniano contra o embaixador saudita em Washington, que seria realizado em um restaurante a menos de dois quilômetros da Casa Branca. 

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