EUA têm pouco a fazer para evitar novas revelações

CENÁRIO: Brad Knickerbocker / CSM

O Estado de S.Paulo

24 Junho 2013 | 02h10

Edward Snowden deixou seu esconderijo em Hong Kong rumo a Moscou, de onde pretendia iniciar uma viagem à América do Sul, onde deverá obter asilo político. Trata-se do mais recente ato desta saga que começou no início do mês, quando Snowden se apresentou como o ex-analista que revelou os programas secretos de vigilância dos Estados Unidos.

A situação deixou o presidente Barack Obama na difícil posição de fazer uma profunda avaliação da segurança nacional no mundo pós-11 de Setembro, no qual a maioria dos americanos defende o direito à privacidade, enquanto Obama apela para a necessidade de transparência no governo.

Enquanto Snowden estava em Hong Kong, os Estados Unidos, inevitavelmente, continuavam no seu encalço usando todos os canais diplomáticos e legais possíveis. Em um processo criminal aberto na sexta-feira no tribunal federal de Alexandria, no Estado de Virgínia, Snowden foi acusado de roubo de propriedade do governo, comunicação não autorizada de informações sobre defesa nacional e revelação intencional de informações exclusivas dos serviços secretos para pessoas não autorizadas. As duas últimas violações são contempladas na Lei de Espionagem dos EUA e preveem pena de até 10 anos de cadeia.

No sábado, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Tom Donilon, anunciou que os EUA apresentaram às autoridades de Hong Kong um pedido formal de extradição de Snowden, de acordo com um tratado entre EUA e Hong Kong, assinado em 1998.

Mesmo que Snowden permanecesse em Hong Kong, não seria garantido que os EUA tivessem tão cedo acesso a ele. O tratado de extradição abre algumas exceções para as acusações consideradas "de teor político" e é notório que, em Hong Kong, um processo de extradição pode demorar anos.

É improvável que a concessão de asilo a Snowden na América do Sul - se é mesmo para lá que ele vai - coloque um fim a suas revelações sobre a espionagem americana.

O jornal New York Times observa que Snowden deixou Hong Kong levando consigo "quatro laptops com uma enorme quantidade de documentos da inteligência americana que ele baixou recentemente em uma pen drive quando trabalhava no Havaí para a Agência de Segurança Nacional como funcionário da empresa de consultoria Booz Allen Hamilton".

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