EUA têm quarta noite de protestos contra morte de jovem negro

Manifestantes atiraram pedras e bombas de gasolina contra a polícia, que respondeu com granadas de efeito moral

O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 12h10

FERGUSON - A polícia de Ferguson, no Estado americano de Missouri, disparou gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e bombas de fumaça para dispersar cerca de 350 manifestantes na quarta-feira 13, na quarta noite de protestos em razão da morte de um adolescente negro desarmado pela polícia.

Alguns manifestantes jogaram pedras contra a polícia enquanto outros se dispersavam. Um repórter da Reuters viu dois jovens com os rostos cobertos por bandanas prepararem o que pareciam ser bombas de gasolina, em um ponto de ônibus. A polícia disse que os manifestantes atiraram esse tipo de artefato contra policiais.

Manifestantes têm se reunido todas as noites desde sábado, quando Michael Brown, de 18 anos, foi morto a tiros no subúrbio de St. Louis, de maioria negra. As autoridades disseram que houve uma briga envolvendo uma arma no carro da polícia. Algumas testemunhas afirmaram que Brown estava fora do carro, com as mãos para cima.  

A polícia enviou para Ferguson policiais com uniforme camuflado e coletes e um veículo blindado com um oficial carregando um fuzil em um tripé.

"Já cansei de ser provocado por causa da cor da minha pele. Estou cansado dessa brutalidade policial", disse um manifestante, que deu seu primeiro nome, Terrell, de 18 anos. "Vou continuar voltando aqui noite após noite até termos justiça."

O vereador de St. Louis Antonio French estava entre as cerca de 10 pessoas presas na quarta, segundo o jornal St. Louis Post-Dispatch. Desde sábado, cerca de 40 manifestantes foram presos.

Figuras nacionais, desde o presidente Barack Obama até o ativista de direitos civis reverendo Al Sharpton, têm pedido por uma resposta pacífica à morte do jovem. 

O governador do Missouri, Jay Nixon, disse em uma série de mensagens no Twitter que visitaria a área nesta quinta-feira, 14, e pediu que "agentes da lei respeitem os residentes e a imprensa", esperando que a crise atual não resulte em uma "tragédia" como a de sábado. "A situação em Ferguson não representa quem somos. Devemos manter a paz e salvaguardar os direitos dos cidadãos e da imprensa."

A polícia tem sido lenta em divulgar informações sobre a morte de Brown, dizendo apenas que aconteceu em uma luta entre um policial desarmado e o jovem. O oficial foi tratado em um hospital por um inchaço no rosto.

Dorian Johnson, que estava andando com Brown no momento disse em entrevistas que o adolescente colocou as mãos para cima e não lutou contra o policial. Segundo a versão da testemunha, o oficial atirou diversas vez na cabeça e no peito de Brown. Uma autópsia preliminar confirmou que Brown sofreu diversos disparos, segundo relatos da mídia.

Johnson deveria se reunir na quarta com promotores e investigadores. O advogado dele, Freeman Bosley, ex-prefeito de St. Louis, não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.

Outra testemunha, Tiffany Mitchell, disse à CNN que viu o policial puxando Brown, que tentava se soltar, e então os disparos foram feitos. "O garoto finalmente consegue sair e começa a correr. Quando ele corre, o policial sai do veículo e segue atrás dele, atirando", disse Mitchell, acrescentando que Brown se virou e colocou as mãos para cima. / REUTERS

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