Andrew Kelly/Reuters
Andrew Kelly/Reuters

EUA têm recorde de casos diários de covid, com ameaça de Ômicron e Delta

País registra 267.000 casos diários pela primeira vez desde começo da pandemia, com as duas variantes aumentando o número de contaminações e de internações

The New York Times, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2021 | 10h00

WASHINGTON - Os Estados Unidos quebraram o recorde de casos diários de coronavírus nesta terça-feira, 28, à medida que duas variantes altamente contagiosas - a Delta e a Ômicron - convergiram para atrapalhar as viagens e reuniões de férias, lotar hospitais e mergulhar o país em outro longo inverno.

Com o terceiro ano da pandemia se aproximando, a média móvel de casos em sete dias nos EUA chegou a 267.000 na terça-feira, segundo um banco de dados do The New York Times.

A variante, que se espalhou por inúmeras nações, está proliferando em muitas áreas dos EUA. Extremamente transmissível, a Ômicron superou a variante Delta em poucas semanas e representa 96,3% dos novos casos em três Estados do noroeste do país (Oregon, Washington e Idaho), segundo o CDC. 

O registro veio apenas um dia depois que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças reduziu o número de dias que os americanos infectados deveriam permanecer isolados para cinco dias. O CDC mudou de curso com a rápida disseminação da Ômicron agravando a escassez de mão de obra, afetando os setores de turismo, medicina e viagens, entre outros. 

A agência não recomendou o teste rápido antes que as pessoas saíssem do isolamento, e especialistas alertaram que essa omissão geraria novos casos e aumentaria ainda mais a pressão sobre os sistemas de saúde já sobrecarregados.

O recorde anterior de casos diários nos EUA foi estabelecido em 11 de janeiro, quando a média de sete dias era de 251.232. Isso durante um inverno catastrófico que foi muito pior do que o atual, com mais de 62% dos americanos totalmente vacinados. 

Aumento das hospitalizações

As hospitalizações têm aumentado, com média de mais de 71.000 por dia, mas permanecem muito abaixo dos níveis máximos. Embora as mortes também tenham aumentado, a média diária de 1.243 é uma fração do recorde de 3.342 relatado em 26 de janeiro.

A Ômicron está atingindo com força os Estados de Washington, Maryland e Virginia, que  quebraram recordes na segunda-feira para contagens diárias de casos.

“Washington é um exemplo do que provavelmente veremos em grande parte do resto do país ”, disse Neil J. Sehgal, professor assistente de políticas de saúde na Escola de Saúde Pública da Universidade de Maryland. “Uma onda gigantesca de casos de Ômicron provavelmente inundará grande parte do país no próximo mês.”

A variante Ômicron é mais rápida do que outras, inclusive a Delta, para infectar pessoas vacinadas. A próxima onda de pacientes contaminados ameaça sobrecarregar os hospitais, enquanto os próprios profissionais de saúde estão cada vez mais infectados.

Um número considerável de pacientes permanece infectado com a variante Delta, que é mortal. Na terça, o CDC relatou que os casos de Ômicron representaram uma porcentagem significativamente menor do número total de casos nos EUA do que o esperado, em cerca de 59%. E para a semana encerrada em 18 de dezembro, a agência revisou para baixo sua estimativa de 73% para cerca de 23%, o que significa que a Delta permaneceu dominante até esta semana.

A Ômicron está, sem dúvida, se tornando a variante dominante, e isso pode ser uma boa notícia: um novo estudo de laboratório realizado por cientistas sul-africanos mostrou que as pessoas que se recuperaram de uma infecção com a variante podem ser capazes de evitar infecções posteriores de Delta.

Os recordes de contaminação também estão varrendo a Europa, mas até agora, os líderes de Reino Unido, França, Espanha e alguns outros países têm resistido à imposição de novas restrições duras. Muitos afirmam que é hora de aceitar que o vírus é endêmico e que os países devem se afastar dos bloqueios. Essas nações, confrontadas com a fadiga da covid, estão apostando que a alta taxa de pessoas vacinadas e com doses de reforço, junto com as restrições anteriores ainda em vigor, serão suficientes para manter as contaminações por coronavírus administráveis.

Os Estados Unidos também seguiram um caminho semelhante, já que o presidente Joe Biden disse repetidamente que a era dos bloqueios acabou e prometeu aumentar os testes, dobrar as campanhas de vacinação e ajudar hospitais. 

Mas especialistas em saúde pública alertaram que as medidas não serão suficientes para prevenir o aumento de infecções e hospitalizações nas próximas semanas. E a demanda por testes explodiu enquanto os fabricantes lutam para aumentar a produção e a distribuição.

O teste é fundamental para o plano da cidade de Nova York de manter o maior distrito escolar dos EUA aberto no ano novo. A cidade anunciou na terça-feira que eliminaria sua política de quarentena de salas de aula inteiras expostas ao coronavírus e, em vez disso, usaria um programa de testes acelerado para permitir que alunos com teste negativo e sem sintomas permanecessem na escola.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.