EUA temem poder de radicais na oposição síria, indica relatório

Segundo agência Eurasia, EUA evitam armar forças anti-Assad em razão da infiltração de militantes islâmicos na Síria

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2012 | 03h06

Apesar de investir na queda do regime de Bashar Assad, os EUA estão cada vez mais preocupados com o envolvimento de radicais islâmicos nas fileiras de milícias da oposição síria. A informação é da agência de risco político Eurasia. O governo americano mantém-se calado sobre o assunto, que pode tirar força de sua campanha para derrubar o regime de Damasco.

"Os EUA não estão interessados em armar os opositores sírios e sentem-se desconfortáveis com a crescente participação de radicais sunitas (salafistas)", afirma o analista Ayhan Kamel, em relatório da Eurasia. Segundo ele, os americanos "suspeitam das redes de salafistas usadas pela Arábia Saudita" e não devem se intrometer no apoio com armas às forças anti-Assad.

Esses grupos ultrarradicais, que eram marginais no início dos levantes, começaram a ganhar força dentro da Síria nos últimos meses. Alguns deles chegaram a combater os EUA no Iraque. Além disso, eles podem ofuscar líderes democráticos laicos na oposição síria e ameaçar as minorias cristãs e alauitas, que costumam ser associadas ao regime.

No Conselho de Segurança das Nações Unidas, a embaixadora Susan Rice também demonstrou cautela ao falar dos opositores na Síria. "As circunstâncias são diferentes e muito mais complexas do que na Líbia. A oposição síria não consegue se unir e não controla nenhuma parte do território, como era o caso na Líbia", disse.

Os rebeldes que lutavam contra o ditador Muamar Kadafi rapidamente dominaram a região da Cirenaica, no leste da Líbia. Na Síria, os opositores tiveram de recuar de cidades como Idlib e Homs.

Para reverter a situação, os EUA concordaram em dar apoio financeiro aos opositores e também aparelhos de comunicação, deixando o armamento a cargo da Arábia Saudita e do Catar.

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