EUA temem que Brasil e Turquia ignorem sanção

Subsecretário de Estado diz que a comunidade internacional deve aplicar de forma 'vigorosa e fiel' a resolução contra o Irã aprovada na ONU

Denise Chrispim Marin, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

Ao fazer um chamado para que a comunidade internacional aplique de forma "vigorosa, fiel e sistemática" a Resolução 1.929, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, William Burns, deixou escapar a preocupação dos EUA com a possibilidade de o Brasil e a Turquia não aplicarem as novas sanções contra o Irã.

À imprensa, Burns afirmou que o Brasil e a Turquia, apesar de seus votos contrários à punição, devem "deixar claro que partilham as preocupações internacionais" em relação ao programa nuclear iraniano.

"É importante que (o Brasil e a Turquia) atendam fielmente à ordem do Conselho de Segurança de pôr em prática a resolução", disse Burns, esquivando-se de responder se a atitude dos dois países afetaria a legitimidade da medida. "A mensagem da resolução foi claramente forte."

Burns reiterou que a Resolução 1.929, aprovada ontem por 12 dos 15 membros do Conselho de Segurança, foi uma resposta à decisão do Irã de rejeitar os chamados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e de prosseguir com o enriquecimento de urânio, em violação a resoluções anteriores.

Ele também declarou que os EUA manterão as portas abertas para negociar com o Irã, com os demais membros permanentes do CS (Rússia, China, França e Grã-Bretanha) e a Alemanha.

Conforme afirmou, o acordo que prevê a troca de urânio por combustível para um reator de pesquisas médicas, foi o resultado de um "trabalho forte" e de "boas intenções" dos governos brasileiro e turco e pode servir de base para o diálogo. Mas, segundo ele, essa saída para a suspensão das sanções dependerá do engajamento do Irã. "Os EUA continuarão abertos para a discussão dessa proposta."

Hillary. Na Colômbia, a secretária de Estado Hillary Clinton disse acreditar que Brasil e Turquia continuarão a desempenhar um importante papel nos esforços diplomáticos com o governo iraniano. "Não concordamos com seus votos, mas posso entender por uma perspectiva diplomática o argumento deles para o voto de hoje", disse Hillary.

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