EUA temem uso de arsenal nuclear paquistanês sem Musharraf

Armas nucleares poderiam não estar seguras no controle do novo poder do Paquistão

Agência Estado e Associated Press,

10 de agosto de 2007 | 21h14

Funcionários da inteligência militar dos EUA estão avaliando urgentemente o quão seguras estariam as armas nucleares do Paquistão no caso de o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, ser substituído, informou nesta sexta-feira, 10, a rede americana CNN. Entre as principais questões avaliadas está quem controlará as armas nucleares paquistanesas após uma mudança de poder. Fontes militares e analistas de inteligência disseram à CNN que a avaliação faz parte de uma ampla revisão da situação militar e de segurança no Paquistão.  Os funcionários disseram que o Paquistão e suas armas nucleares sempre foram uma alta prioridade de inteligência para os EUA. Mas a revisão atual é resultado dos recentes acontecimentos no Paquistão, um aliado-chave dos EUA na luta contra o terror. Apesar de Musharraf ter voltado atrás em sua decisão de impor o estado de emergência no país, os EUA acreditam que ele ainda pode decretar tal medida, que reduziria os direitos e poderia levar ao adiamento das eleições parlamentares previstas para o fim do ano. Musharraf tentará ser reeleito pelo Parlamento e pelos Legislativos regionais entre setembro e outubro, antes da dissolução dessas assembléias para a realização das eleições parlamentares. No Paquistão, o presidente é eleito por um Colégio Eleitoral formado pela Câmara, Senado e assembléias regionais. No Colégio Eleitoral atual, Musharraf conta com a maioria simples necessária para ser reeleito. Contudo, há forte oposição contra sua insistência em permanecer como chefe do Exército, algo proibido pela Constituição. Musharraf enfrenta pressão dos EUA para realizar eleições livres e agir contra militantes da Al-Qaeda e do Taleban que estão se refugiando nas regiões tribais paquistanesas, na fronteira com o Afeganistão. Também enfrenta uma onda de atentados nessa região do noroeste do país, que teve início depois que ele ordenou, há um mês, um assalto contra a Mesquita Vermelha de Islamabad, onde radicais islâmicos estavam entrincheirados. Mais de cem pessoas morreram na ofensiva. Segundo funcionários americanos, os EUA sabem a localização das armas nucleares. Mas as questões-chave são o que aconteceria e quem controlaria essas armas nas horas seguintes a uma mudança de poder, no caso de Musharraf ser deposto ou morto. Segundo analistas, Musharraf tem a lealdade dos comandantes e funcionários responsáveis pelo programa nuclear, mas seu controle sobre o Exército é limitado a certos comandantes e unidades, provocando a preocupação sobre se o presidente pode manter esse controle a longo prazo, principalmente se deixar a farda.

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