Abed Al Hashlamoun/Efe
Abed Al Hashlamoun/Efe

EUA tentam conter ação palestina na ONU

Americanos, israelenses e europeus correm para evitar votação na próxima semana

, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

JERUSALÉM

Israel, EUA e Europa aumentaram ontem a pressão para que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, desista de levar à ONU uma proposta de reconhecimento do Estado palestino. Dois graduados diplomatas americanos, Dennis Ross e David Hale, chegaram ontem à região para uma última tentativa de acordo.

A possibilidade de o governo palestino mudar de ideia, no entanto, é pequena - americanos e israelenses reconhecem isso. As autoridades de Ramallah ainda estudam se pedirão ao Conselho de Segurança a adesão como membro pleno da organização ou se solicitarão à Assembleia-Geral a elevação de seu status de "observador" para o de "Estado não membro".

Mohamed Shtayyeh, membro do comitê político da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) declarou na terça-feira que os palestinos optarão pela adesão total à ONU. A proposta, porém, tem de passar pelo Conselho de Segurança e os EUA já disseram que usarão seu poder de veto.

Outra possibilidade, ainda não descartada, é driblar o veto americano solicitando à Assembleia-Geral uma evolução de seu status na organização. Os palestinos dão como certo o voto de 126 dos 193 países do órgão - incluindo os emergentes África do Sul, Brasil e Turquia, além de Rússia e China. Eles precisariam, no entanto, de dois terços da Assembleia-Geral, ou 129 votos, que poderiam vir dos membros ainda indecisos, principalmente dos europeus.

Ramallah acredita que a mudança destravaria as negociações de paz, interrompidas há cerca de um ano. Israel e os EUA são contra, argumentando que a declaração unilateral na ONU não substitui as negociações e pode causar uma onda de violência na região. Ross e Hale se reuniram ontem com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e com membros de seu gabinete.

Hoje, eles viajam para a Cisjordânia para negociar com Abbas. Eles correm contra o tempo, já que a abertura da Assembleia-Geral será na terça-feira. O discurso de Abbas está marcado para o dia 23 e os palestinos devem entregar a proposta em seguida.

Indefinição. Quem também participa das discussões é Catherine Ashton, chanceler da União Europeia. Depois de se reunir com líderes da Liga Árabe e com Abbas, na terça-feira, ela conversou ontem com Netanyahu. Catherine tem uma missão difícil: fazer com que a UE vote em bloco.

Até agora, Alemanha, Holanda, Itália, Hungria e República Checa se declararam favoráveis a Israel. Espanha, Portugal e os países escandinavos apoiam os palestinos. A França também tende a votar com Ramallah, mas estaria tentando amenizar o tom da proposta palestina na ONU. A Grã-Bretanha ainda não se definiu.

Sem meias palavras, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, advertiu ontem que se os palestinos obtiverem o reconhecimento da ONU "as implicações serão duras e graves". O chanceler, no entanto, não deu detalhes sobre quais seriam as consequências. "Não chegou o momento de dar detalhes sobre o que ocorrerá", disse Liberman, que fez questão de deixar claro que seu discurso era "uma ameaça".

O vice-chanceler israelense Danny Ayalon afirmou que o reconhecimento unilateral de um Estado palestino na ONU significará o cancelamento de todos os acordos firmados pelos dois lados - em referência aos tratados assinados por Israel e pela OLP, como os de Oslo, que criaram a Autoridade Palestina. Ayalon mencionou também a possibilidade de Israel anexar os blocos de assentamentos judeus na Cisjordânia, caso o Estado palestino seja realmente reconhecido pelas Nações Unidas. / AP, AFP e REUTERS

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