EUA tentam conter danos após revelação de documentos

O governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se viu forçado a adotar uma estratégia de redução de danos após o vazamento de ontem, em que mais de 250 mil documentos secretos do Departamento de Estado foram publicados pelo site WikiLeaks. Agora, a Casa Branca busca conter reações por comentários deselegantes relativos a líderes mundiais, além de informações sobre atividades secretas da diplomacia norte-americana pelo mundo.

AE, Agência Estado

29 de novembro de 2010 | 09h18

A publicação dos documentos secretos mostrou o tamanho do alarme global em torno das ambições nucleares do Irã, além de revelar táticas de pressão adotadas pelos EUA em locais como Afeganistão, Paquistão e Coreia do Norte. Os papeis mostram ainda impressões duras de diplomatas e de outros líderes mundiais sobre os aliados e inimigos de Washington.

O site WikiLeaks é especializado em vazar documentos confidenciais. Hoje, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, deve falar sobre o caso. Logo em seguida, Hillary deve partir para uma viagem por quatro países da Ásia Central e do Oriente Médio - regiões que aparecem bastante nos documentos revelados.

Os despachos da diplomacia norte-americana trazem revelações sobre, por exemplo, os temores de EUA, Israel e do mundo árabe em torno do programa nuclear iraniano. Também sobre o temor de Washington diante do arsenal atômico do Paquistão, e discussões nos EUA sobre uma Península Coreana unida e uma solução de longo prazo para o impasse com os norte-coreanos.

Nenhum dos vazamentos parecia particularmente explosivo, mas a publicação pode trazer problemas para os funcionários citados e para qualquer iniciativa que deveria permanecer secreta. A divulgação massiva de documentos era esperada, e diplomatas dos EUA pelo mundo já preparavam o terreno com aliados, para evitar maior tensão.

Os documentos foram publicados também pelo jornal norte-americano The New York Times, pelo francês Le Monde, pelo britânico Guardian, pela revista alemã Der Spiegel e por outros meios. Os papeis mostram as atividades de Washington em suas relações internacionais que não são mostradas ao público. A Casa Branca condenou a divulgação dos documentos, dizendo que elas colocam diplomatas e agentes de inteligência em risco.

Alguns documentos mostravam diplomatas dos EUA que atuam na Organização das Nações Unidas (ONU) sendo encorajados a coletar dados sobre o secretário-geral da ONU, a equipe dele e diplomatas estrangeiros, em uma atitude além da considerada normal para coletar dados nos círculos diplomáticos.

Um porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, disse que "nossos diplomatas são apenas isso, diplomatas", e não espiões. A Casa Branca notou que esses relatórios vazados são, tradicionalmente, francos e muitas vezes com informações incompletas. "Isso não é uma expressão de política, nem sempre molda as decisões políticas finais."

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, disse que o governo Obama estava tentando encobrir supostas provas de sérios "abusos contra os direitos humanos e outros comportamentos criminosos". As informações são da Associated Press.

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