EUA tentam conter fuga de milícia islâmica da Somália

Forças norte-americanas estão estacionadas próximas à Somália para impedir que militantes do deposto governo islâmico fujam do país, disse um porta-voz do Departamento de Estado nesta quarta-feira. "Temos a preocupação de que nenhum líder das Cortes Islâmicas (nome da milícia religiosa somali), que têm ligação com organizações como a Al-Qaeda, possa fugir e deixar a Somália", afirmou o porta-voz Sean McCormack. "É claro que temos uma presença na costa da Somália e do Chifre da África (o nordeste do continente) para garantir que não haja rotas de fuga por mar", acrescentou ele, sem dar detalhes sobre as forças dos EUA. A maioria dos militantes islâmicos, que fugiram na última segunda-feira do seu reduto, após duas semanas de guerra contra as tropas somalis apoiadas pela Etiópia, se refugiou nas montanhas que ficam entre a cidade portuária de Kismayu e a fronteira com o Quênia. A direção do Conselho das Cortes Islâmicas da Somália prometeu continuar lutando. McCormack não citou extremistas específicos, mas autoridades dos EUA disseram antes da guerra que o principal escalão das Cortes Islâmicas era controlado por uma célula da Al-Qaeda. O líder máximo do grupo somali, xeque Hassan Dahir Aweys, está nas listas de extremistas feitas pela ONU e pelos EUA. Durante os seis meses de regime islâmico na Somália, autoridades dos EUA tentaram sem sucesso convencer seus dirigentes a entregarem três suspeitos de envolvimento com os atentados de 1998 contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia. Washington acredita que esses suspeitos estão na Somália. O primeiro-ministro do governo laico da Somália, Ali Mohamed Gedi, disse na última terça-feira que combatentes pró-islâmicos da Eritréia, da Etiópia e de países árabes foram presos durante o conflito. Força-tarefaOs EUA criaram em 2002 a Força-Tarefa Combinada Conjunta - Chifre da África, no Djibouti. Ali, um antigo quartel da Legião Estrangeira francesa serve de base para operações e treinamento de contra terrorismo, além de missões humanitárias. Membros dessa força-tarefa de 1.800 membros também treinaram com tropas na Etiópia; e barcos dos EUA patrulham o vizinho golfo de Aden, segundo documentos do Pentágono. Questionado sobre o suposto aval norte-americano para a ação militar etíope contra os militantes, McCormack disse que Washington preferia uma solução negociada. "Mas ficou aparente ao longo do tempo, e certamente muito aparente nas últimas semanas, que isso não iria acontecer e que as cortes islâmicas tentavam assumir o controle de toda a Somália pelo uso de armas. Havia real preocupação sobre a composição da liderança dessas cortes islâmicas". O secretário-assistente de Estado Jendayi Frazer está na África, conversando com vários líderes regionais, em busca de uma forma de "tirar a Somália da categoria dos Estados falidos". Até agora, só Uganda se ofereceu para participar de uma eventual força de paz internacional.

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