EUA tentam se aproximar de Caracas

Alto funcionário do Departamento de Estado americano diz que relação pode melhorar após eleição de um novo governo na Venezuela

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h03

Após a morte de Hugo Chávez, os EUA esperam normalizar as relações com a Venezuela. A informação foi dada ontem por um alto funcionário do Departamento de Estado, que pediu anonimato. Para ele, a expulsão de dois adidos militares americanos, na terça-feira, não significa que Caracas tenha desistido de uma aproximação.

"Assim que o novo governo for eleito, as relações podem ser retomadas", disse. "Campanhas eleitorais não são o melhor momento para avançar essa agenda. A Venezuela pode demorar um pouco até que esteja pronta para iniciar um diálogo sério."

Um colaborador do presidente americano, Barack Obama, afirmou ontem ao Estado que o novo governo em Caracas precisará ter "credibilidade e legitimidade". "Tecnicamente, as eleições na Venezuela têm sido livres, mas sempre com registros de ameaças e de intimidação a eleitores e candidatos", disse a autoridade, que preferiu manter o anonimato. "Os EUA defenderão um processo livre, transparente e justo."

Na avaliação da Casa Branca, a Venezuela estará mergulhada em uma complicada sucessão no curto prazo. Depois de 14 anos, haverá diferentes frentes em disputa. Trata-se, portanto, de um novo ambiente político, ao qual os vários atores terão de se adaptar.

A expectativa americana é a de fortalecimento das instituições democráticas ao longo do processo. O risco de ruptura da ordem institucional não está previsto nos cenários da Casa Branca. No entanto, há preocupação com episódios de violência em razão do elevado nível de criminalidade no país.

Expulsão. A Casa Branca soube da morte de Chávez pelo noticiário, mas estava ciente, desde dezembro, da impossibilidade de recuperação do presidente. Na ocasião, Chávez já havia sido reeleito e estava em Cuba para uma nova etapa de seu tratamento. Seu retorno a Caracas, em fevereiro, foi considerado pelos EUA como uma última tentativa de tomar posse e de deixar consolidada a sucessão para Nicolás Maduro, agora presidente interino.

A insinuação de que "os EUA teriam envolvimento na doença de Chávez", feita por Maduro na terça-feira, foi considera "absurda" pelo governo americano. "Isso nos leva a concluir que, infelizmente, o atual governo da Venezuela não está interessado em melhorar as relações entre os dois países", disse Patrick Ventrell, porta-voz do Departamento de Estado.

Ventrell afirmou também que os EUA estudam a possibilidade de expulsar diplomatas venezuelanos como reciprocidade à decisão de Maduro de levar adiante a expulsão de dois adidos militares acusados de conspirar com a oposição venezuelana.

Até a noite de ontem, Washington ainda estudava quem representaria o país no funeral de Chávez. Os americanos não têm embaixador em Caracas desde 2010, porque o governo venezuelano rejeitou dar as credenciais para Larry Palmer, indicado para o cargo por Obama.

Pouco depois do anúncio da morte de Chávez, Obama disse querer desenvolver "uma relação construtiva" com o novo governo venezuelano. Ao longo de seu mandato, o presidente americano nunca tratou a Venezuela como uma nação inimiga, além de não colocar as relações com Chávez como uma prioridade.

Patrick Duddy, embaixador dos EUA na Venezuela entre 2007 e 2010, atualmente na Universidade Duke, disse ao Estado que "as relações devem permanecer complicadas" caso Maduro seja o sucessor de Chávez, pelo menos no curto prazo. "A expulsão de dois membros da embaixada dos EUA em Caracas, no dia da morte de Chávez, deixa isso claro", disse. / COLABOROU GUSTAVO CHACRA

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