EUA tentarão processar Assange por conspiração

Justiça investiga a hipótese de o criador do WikiLeaks ter estimulado o soldado americano Bradley Manning a entregar-lhe os segredos

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

O Departamento de Justiça dos EUA pretende processar o australiano Julian Assange, fundador e responsável pelo site WikiLeaks, por conspiração. Procuradores investigam a hipótese de Assange ter estimulado o soldado americano Bradley Manning a entregar-lhe os documentos militares secretos sobre a Guerra do Afeganistão, em julho, e os arquivos confidenciais do Departamento de Estado.

Essa versão teria como base um depoimento de Manning e as mensagens trocadas por ele com o ex-hacker Adrian Lamo, hoje em poder do FBI.

Em princípio, Assange poderá ser processado por conspiração com base na Lei de Espionagem, de 1917, e também responder por violação da Lei de Fraude e Abuso em Informática, de 1986. Se a operação for bem-sucedida, os EUA poderão pedir sua extradição à Grã-Bretanha, onde a Justiça libertou ontem o fundador do WikiLeaks sob fiança. Assange ficará sob liberdade vigiada enquanto a Justiça britânica avalia um pedido de extradição da Suécia, onde ele é acusado de ter abusado sexualmente de duas mulheres.

Segundo o jornal The New York Times, o esforço do Departamento de Justiça será provar que Assange não foi apenas um receptor passivo da documentação vazada pelo site. Um dos materiais em poder dos procuradores traz a transcrição de uma conversa online de Manning, na qual ele teria afirmado manter comunicação direta com Assange por meio de um serviço de conferência criptografado. Manning teria declarado ainda contar com acesso ao servidor do WikiLeaks para despachar os arquivos com a documentação do Pentágono e da diplomacia americana.

Até o momento, Manning é o principal suspeito dos quatro vazamentos de material secreto do governo americano. Mas, no caso da liberação dos 92 mil documentos sobre a Guerra do Afeganistão, em julho, o Pentágono acredita haver outros envolvidos. Manning, de 22 anos, foi acusado como responsável pela entrega de um vídeo ao WikiLeaks com cenas de um ataque de soldados americanos em Bagdá que resultou na morte de 12 civis iraquianos e de 2 jornalistas, há três anos. O vídeo foi exposto pelo site em abril. Desde o mês seguinte, Manning está preso no Kuwait.

O soldado ainda seria o responsável por enviar ao WikiLeaks outro vídeo, sobre um ataque aéreo americano que matou 97 civis no Afeganistão em 2009, e os telegramas diplomáticos divulgados no final de novembro. Como analista de informática, ele tinha acesso ao sistema de troca de informações confidenciais entre os departamentos (ministérios) de Estado e de Defesa americanos.

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