REUTERS/Caleb Kenna/File Photo - 08/08/18
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EUA terão primeira candidata transexual a governo de Estado

Empresária Christine Hallquist venceu primárias do partido Democrata e disputará cargo no Estado de Vermont contra atual governador nas eleições gerais em 6 de novembro

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2018 | 02h30
Atualizado 15 Agosto 2018 | 13h48

WASHINGTON - A empresária Christine Hallquist será a primeira candidata transexual a disputar um cargo de governador nos Estados Unidos. Ex-diretora da Vermont Electric Cooperative, Christine foi nomeada na terça-feira, 14, pelo Partido Democrata após vencer três políticos nas primárias estaduais.

"Vermont se tornou uma luz de esperança para todo o país", disse Christine. "Isso é o que chamo de expandir nosso compasso moral e é isso que representamos hoje." Em 6 de novembro, ela enfrentará o republicano Phil Scott, atual governador de Vermont, nas eleições gerais.

"HISTÓRIA FEITA! @christristforvt acaba de se tornar a primeira candidata a governador trans/não binário de um partido político importante na história dos Estados Unidos", tuitou Victory Fund, organização que apoia os candidatos LGBTQ.

Os candidatos transgêneros esperam aproveitar os avanços alcançados em 2017, quando ao menos 10 conquistaram cargos em todo o país, desde legislaturas estaduais até comitês de planejamento urbano —o maior número já registrado.

Pesquisa realizada pela Escola de Saúde Pública de Harvard aponta que ao menos 43 transexuais decidiram disputar primárias para as eleições gerais deste ano - a maioria pelo Partido Democrata e alguns como independentes.

Do total, apenas quatro foram nomeados, todos para disputar vagas na Câmara dos Deputados ou no Senado. Christine foi a quinta escolhida e será a única candidata a um Executivo estadual. Até o momento, 17 pré-candidatos trans perderam suas primárias e outros 21 ainda passarão pelo crivo do partido.

Segundo especialistas, o aumento de candidaturas transexuais ocorre em meio à incerteza sobre os direitos da população transexual nos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. O republicano revisou a lei assinada pelo antecessor, Barack Obama, que permitia o alistamento militar a homens e mulheres trans nas Forças Armadas.

Segundo a Casa Branca, a presença de militares trans acarretaria "tremendos custos médicos". A justificativa causou indignação entre ativistas LGBTQ, surpreendeu o Pentágono e provocou críticas de congressistas, incluindo republicanos. A medida está suspensa por decisão judicial.

Transição

Christine Hallquist anunciou sua transição em 2015, quando ainda dirigia a Vermont Electric Cooperative e era conhecida como David Hallquist. Apesar da mudança do primeiro nome, ela decidiu manter o "David" como nome do meio e diz se sentir confortável ao falar sobre sua antiga identidade.

A transição da empresária foi relatada no documentário "Denial", filmado pelo seu filho, Derek, com o objetivo de mostrar os esforços da Vermont Electric Cooperative para alertar sobre os impactos do aquecimento global.

"Eu amo Vermont porque aqui nós olhamos além dos problemas supérfluos", disse Christine. "Acontece de um líder ser um transexual. As pessoas de Vermont sabem disso. Eles votaram por mim e irei fazer isso por eles."

Vermont é conhecido pelo histórico de pioneirismo em relação a questões sexuais e de gênero. Em 2000, foi o primeiro Estado americano a reconhecer uniões civis entre casais do mesmo sexo e, em 2009, foi o primeiro Estado a legalizar o casamento gay nos Estados Unidos. / REUTERS e AFP

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