EUA terão escudo antimíssil, confirma Bush

Numa mudança histórica da doutrina de defesa que prevaleceu durante a guerra fria, baseada no poder de dissuasão do enorme arsenal nuclear dos Estados Unidos, o presidente George W. Bush oficializou hoje o plano de seu governo de iniciar a construção de um escudo contra ataques de mísseis nucleares.O presidente norte-americano afirmou que levará adiante a idéia a despeito da proibição que o Tratado de Mísseis Antibalísticos de 1972 (ABM), do qual os EUA são signatários, impõe a esse tipo de esquema defensivo. "Temos que ir além das restrições do ABM", afirmou Bush, em discurso na Universidade Nacional de Defesa, no Forte McNair, em Washington. "Esse tratado não representa as necessidades do presente, não aponta para o futuro e é uma relíquia do passado", discursou.Lançado na administração de Ronald Reagan, nos anos 80, a iniciativa incluía, em sua versão original, interceptadores colocados em plataformas espaciais. Por essa razão, foi apelidada de "Guerra nas Estrelas". Mesmo na sua mais modesta versão terrena, o custo do sistema é calculado em várias centenas de bilhões de dólares, podendo ultrapassar a marca do US$ 1 trilhão, de acordo com algumas estimativas.Bush informou que, paralelamente à montagem do novo sistema de defesa, os EUA reduzirão drasticamente seu arsenal nuclear, atualmente de 7.500 ogivas, e poderão iniciar esses processo de forma unilateral. Ele não forneceu números. Antes de anunciar o plano, Bush telefonou para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para dizer-lhe que a iniciativa não visa a proteger os EUA contra seu país ou contra qualquer outro poder nuclear já estabelecido. O presidente afirmou que o principal objetivo do novo sistema defensivo será o de proteger os EUA e seus aliados contra ataques "de nações para as quais a chantagem é um meio de vida".

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