EUA terceirizam interrogatórios no Iraque

A CIA não conta com uma equipe especializada em realizar interrogatórios e apelou para profissionais autônomos para lidar com a onda de detentos produzida pela ?guerra ao terror? do presidente George W. Bush e pelas invasões do Iraque e do Afeganistão. Alguns desses ?free-lancers? encontram-se sob investigação por conta da morte de prisioneiros, e pelo menos um caso já foi classificado como homicídio.Em entrevistas, veteranos da espionagem americana dizem que um grande número de interrogadores é necessário apenas em situações de conflito com muitos prisioneiros, condição que os EUA não enfrentavam desde o Vietnã. A CIA, portanto, não contava com interrogadores peritos prontos para atuar antes da invasão do Afeganistão, em 2001. ?Não há uma reserva, dentro da CIA, de interrogadores experientes e treinados?, diz Milt Bearden, um ex-gerente da organização. ?Nunca houve?.O foco nos abusos sofridos por prisioneiros no Iraque atraiu atenção para o papel da CIA nos interrogatórios. Com pelo menos dois casos de abuso envolvendo interrogadores independentes, ganha evidência o hábito da organização de usar pessoal temporário em suas missões. Não está claro quantos interrogadores terceirizados estão atualmente trabalhando para a CIA, mas o Exército usava 27 deles na prisão de Abu Ghraib, disse o general Lance L. Smith durante depoimento no Senado. Abu Ghraib é o presídio onde foram registrados os abusos divulgados em todo o mundo por meio de fotos.

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