EUA testam "bilhete espião" em linhas aéreas

Para evitar novos atentados comos de 11 de setembro de 2001, quando jatos comerciais foram usados como mísseis por terroristas para derrubar as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, entrará em vigor nos EUA um sistema de "bilhete espião". Os novos bilhetes, que trarão estampados os antecedentes criminais dos passageiros, entre outras informações, será testado inicialmente pela companhia Delta Airlines.Os dados contidos no "bilhete espião" serão incorporados de forma eletrônica, para impedir fraudes. Batizado de Capps II (Computer Assisted Passenger Prescreening System, ?Sistema de Pré-Seleção de Passageiros com Ajuda de Computador?), o sistema permitirá também obter informações sobre as contas bancárias dos viajantes. Os passageiros classificados como "verdes" só passarão por controles rotineiros de segurança, enquanto que os agentes federais que já operam na maioria dos aerportos do país aplicarão controles mais estritos aos "amarelos" e proibirão de voar os "vermelhos".Se o Capps II passar nos testes da Delta Airlines - uma das maiores empreas aéreas dos Estados Unidos -, o sistema será estendido a todas as outras companhias que operam no país. A intenção do Departamento de Transporte Aéreo de Washington é instaurar o Capps-II aos balcões de todas as companhias aéreas dos Estados Unidos.Nem bem começou a funcionar, no entanto, e o sistema já enfrenta as críticas da poderosa União Americana Pelas Liberdades Civis (Aclu, em inglês), que chamou o sistema de "duvidoso", com a agravante de que viola a privacidade dos passageiros - fato que contraria diretamente "o espírito da Constituição americana". Os críticos do "bilhete espião" recordam que a maioria dos terroristas que seqüestraram os Boeings em 11 de setembro eram de nacionalidade saudita, não residentes nos EUA e sem antecedentes, "pois não haviam sequer cometido infrações de trânsito desde que ingressaram no país".As companhias rebatem as afirmações, dizendo que esta é uma das maneiras de combater terroristas e delinqüentes.Outra dúvida que pesa sobre o Capps II é se o sistema se aplica aos vôos transatlânticos, porque, se as companhias decidissem realizar controles do gênero nos aeroportos europeus, "o caos se instalaria".A maioria dos países europeus, salientam os críticos do novo sistema de identificação, possui leis que impedem este tipo de controle, pois garante aos seus cidadãos o direito à privacidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.