EUA testam com êxito interceptação de míssil

Os Estados Unidos realizaram nesta sexta-feira à noite com êxito um teste de interceptação e destruição de um míssil, como parte do programa do polêmico escudo antimísseis, anunciou, neste sábado, a porta-voz do Pentágono, Cheryl Irwin.A quinta prova, realizada em dezembro, também foi considerada um sucesso. As duas primeiras tentativas haviam fracassado. O teste de sexta-feira foi o mais complexo e teve um custo estimado de US$ 100 milhões.A interceptação ocorreu às 21h41 (23h41 em Brasília), informou a porta-voz. Um míssil intercontinental Minuteman II com uma falsa ogiva foi lançado da base Vandenberg da Força Aréa na Califórnia, e um foguete interceptador foi lançado 20 minutos depois da Ilha de Meck, Atol de Kwajalein, no Pacífico.O interceptador teve cerca de 10 minutos para localizar a falsa ogiva e destruí-la. A destruição foi um pouco mais complexa, pois a ogiva lançou três balões, e não um como no teste de dezembro, para confundir o interceptador.O polêmico projeto de escudo antimísseis considera interceptar no espaço um míssil balístico inimigo antes que atinja os EUA ou algum país aliado. O presidente americano, George W. Bush, insiste em levar adiante o projeto alegando que os EUA precisam contar com um poderoso sistema de defesa em caso de um ataque com mísseis de países que apóiam o terrorismo.Bush anunciou no final de 2001, com seis meses de antecedência, que os EUA pretendem retirar-se do Tratado Antimísseis Balísticos (ABM), assinado em 1972 com a Rússia, que proíbe o estabelecimento do sistema antimísseis, como deseja o governo republicano. Rússia, China e vários outros países criticaram a iniciativa, que também não teve uma boa recepção em alguns meios nos EUA.Desenhar, testar e construir um sistema de defesa antimísseis, com base em terra e no mar, poderia custar entre US$ 23 bilhões e US$ 64 bilhões até 2015, estimou o Escritório de Orçamento do Congresso no começo do ano. Alguns críticos do projeto nos EUA dizem que o programa é muito dispendioso e muito fácil de destruir com simples contramedidas ou com o lançamento de um grande número de mísseis.O vice-secretário de Defesa, Paul Wolfowitz, disse ao Congresso no mês passado que o Pentágono espera ter quatro protótipos dos foguetes antimísseis estacionados no Alasca em dois anos. Isso pode ocorrer antes da realização de testes operacionais, que usarão os cenários mais realistas.A Agência de Mísseis de Defesa espera realizar testes sobre o norte do Pacífico depois de 2004. A completa série de testes não estará terminada até 2006 ou 2007.

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