EUA tiram Coréia do Norte da lista de países terroristas

Governo americano anunciou que o regime de Pyongyang concordou em aceitar inspeções nucleares

Agências internacionais,

11 de outubro de 2008 | 11h57

Os Estados Unidos declararam oficialmente que a Coréia do Norte foi retirada da lista negra de países patrocinadores do terrorismo. O gesto representa uma última tentativa de salvar um acordo de desarmamento nuclear antes que o mandato do presidente George W. Bush se encerre, em janeiro de 2009.   Veja também: Após boatos de doença, Coréia mostra fotos de ditador   Fontes do governo dos Estados Unidos haviam afirmado, minutos antes do anúncio, que Pyongyang concordara em acatar todas as exigências de inspeções internacionais de suas instalações nucleares "declaradas", o que inclui um papel "importante" para a Agência Internacional de Energia Atômia (AIEA), da ONU.   Os EUA "obtiveram tudo o que buscavam" no acordo para verificar o desarmamento norte-coreano, que incluía trabalhos com urânio e plutônio, o que levou à retirada de Pyongyang da lista, disse Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado americano. "Trata-se de um aspecto importante. Todos os elementos de verificação que buscávamos estão inclusos neste pacote", afirmou. Mais cedo, o negociador americano Christopher Hill, representando os países envolvidos na negociação, afirmou à AFP que um acordo havia sido fechado durante sua última visita a Pyongyang, realizada entre os dias 1º e 3 deste mês.   A retirada do regime comunista da relação de patrocinadores do terrorismo, segundo fontes do Departamento de Estado americano, será apenas provisória. A Coréia do Norte voltará à lista se falhar em se submeter a inspeções, como parte do esforço para levar o país a abandonar as armas nucleares.   A decisão ocorre num momento em que o governo norte-coreano ameaça reativar um reator nuclear e toma outras medidas, encaradas como provocações, incluindo a expulsão de inspetores da ONU e o teste de mísseis. Essas medidas estremeceram as relações com os EUA e aumentaram a pressão sobre o acordo, já frágil, de desarmamento. Ela também se segue a dias de debates intensos, tanto dentro do governo amerucano como entre parceiros das negociações com a Coréia do Norte - China, Rússia, Coréia do Sul e Japão. O governo em Tóquio reagiu mal á idéia, porque a Coréia do Norte ainda não resolveu as questões relativas ao seqüestro de cidadãos japoneses.   Hill e os negociadores dos demais países envolvidos nas negociações multilaterais para que a Coréia do Norte abandone seu programa nuclear bélico também concordaram que "especialistas de todos os países podem participar das atividades de verificação", prosseguiu a fonte. Os participantes também observaram que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) "terá um papel consultivo e de suporte importante durante a verificação". Pelo acordo, "os especialistas terão acesso a todas as instalações declaradas e, com base em entendimento mútuo, a locais não declarados", prosseguiu a fonte que depois divulgou os detalhes do acordo.   Atualizado às 14h20.

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