AP /Julie Jacobson
AP /Julie Jacobson

EUA tomam ações contra Cuba, Venezuela e Nicarágua, a 'troika da tirania'

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca falou ainda sobre a vontade do governo Trump de estreitar relações com 'governos responsáveis' como os do 'México, Colômbia, Argentina e Brasil' e disse ver como um 'sinal positivo' a chegada de Bolsonaro à Presidência

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2018 | 14h57
Atualizado 01 Novembro 2018 | 19h34

WASHINGTON - O governo de Donald Trump cunhou o termo “troika da tirania” para descrever um grupo de regimes opressores da América LatinaVenezuela, Cuba e Nicarágua – contra o qual anunciou sanções nesta quinta-feira, 1º. “Os EUA tomarão ações diretas contra esses três regimes para defender o estado de direito, a liberdade e a mínima decência humana em nossa região”, declarou o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, em um discurso em Miami. 

O conselheiro falou a uma plateia de pessoas que deixaram Cuba e Venezuela para escapar dos regimes de Castro e Maduro, respectivamente. Com eles, Bolton associou a escalada de repressão do governo de Daniel Ortega, na Nicarágua. Segundo o conselheiro, a Casa Branca terá agora uma “nova e ampla abordagem” em um esforço do governo de combater o que a administração vê como o surgimento de uma “esquerda anti-democrática na região”. 

“Essa troika da tirania, esse triângulo do terror que vai de Havana a Caracas e Manágua, é a causa do imenso sofrimento humano, a impiedosa e enorme instabilidade regional e a gênesis do berço sórdido do comunismo no Hemisfério Ocidental”, disse Bolton no discurso proferido na Freedom Tower, um prédio simbólico onde o governo federal recebeu muitos refugiados nos anos 60 que deixaram a ilha sob o regime de Fidel Castro. “Os EUA esperam para assistir cada ponta desse triângulo cair ... a troika vai desmoronar.” 

A escolha de Bolton pelo sul da Flórida para fazer seu discurso a poucos dias das eleições de meio de mandato, na terça-feira, não foi uma coincidência. No Estado, o deputado republicano Carlos Curbelo, filho de imigrantes cubanos, está defendendo sua reeleição em um distrito que votou em Hillary Clinton com 16 pontos a mais do que Trump. A jornalista Maria Elvira Salazar, também republicana e filha de pais imigrantes cubanos, está disputando com Donna Shalala, ex-funcionária do governo Bill Clinton, a cadeira da republicana Ileana Ros-Lehtinen, que está se aposentando. O partido do presidente Trump se esforça para não perder a maioria na Câmara e no Senado nas eleições de terça. 

Além disso, há uma disputa apertada pelo governo da Flórida entre o prefeito da capital, Tallahassee, Andrew Gillum, um democrata com o apoio dos hispânicos, e o deputado Ron DeSantis, um republicano que tem ao seu lado os cubanos-americanos. 

Fontes da administração insistem que a nova política para a América Latina da Casa Branca não é apenas bravata para convencer os eleitores a votarem, segundo reportagem do Washington Post. Elas afirmam que assim que as eleições tiverem passado, a administração usará todos os recursos do poder nacional para aumentar a pressão sobre os líderes desses três governos. 

Sanções

Contra a Venezuela, a Casa Branca mirou o setor do ouro. De acordo com as sanções já existentes, nem a Venezuela nem a petroleira estatal PDVSA podem liquidar a dívida nos EUA, o que na prática fecha o mercado para o país. De acordo com reportagem do Post, o objetivo da ordem executiva de Trump contra o ouro venezuelano é uma tentativa de interromper o comércio entre Caracas e Turquia, que Washington teme estar reduzindo o impacto de seus esforços para pressionar Maduro e outros membros do governo autoritário. Segundo uma fonte do governo americano ouvida pelo Post, as sanções terão um “significativo e justo” efeito na economia do país. 

Ainda que seu alvo inicial seja o setor do ouro, a ordem executiva de Trump dá aos departamentos de Estado e Tesouro autoridade para adicionar indústrias no futuro. “As novas sanções vão mirar redes de operação com setores da economia venezuelana corruptos e negar a eles acesso a riquezas roubadas”, disse Bolton. 

Com relação à Cuba, o Departamento de Estado acrescentou uma série de empresas ligadas a militares ou a serviços de inteligência cubanos na ilha à lista de empresas com restrições nos EUA. “O Departamento de Estado acrescentou várias entidades, pertencentes ou controladas pelos militares cubanos ou pelos serviços de inteligência, à lista de entidades cujas transações financeiras são proibidas para pessoas nos EUA”, segundo Bolton.

Ele informou que a medida inclui ações concretas para impedir que os dólares americanos cheguem ao militares cubanos e ao setor de segurança e inteligência.

Sobre a Nicarágua, Bolton afirmou que o governo de Daniel Ortega usou a força para reprimir seus oponentes políticos. Segundo o conselheiro, ele sentirá “no futuro próximo” todo o peso “de sanções americanas robustas contra seu regime”. 

Bolsonaro

Bolton também falou da vontade da Casa Branca de estreitar relações com “governos responsáveis” como os do “México, Colômbia, Argentina e Brasil” para “fazer avançar o estado de direito e aumentar a segurança e a prosperidade”. O conselheiro mencionou o que chamou de “sinais positivos” com a chegada à presidência de Jair Bolsonaro e Iván Duque (Colômbia). / W. POST, AP, AFP e EFE 

 

 

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