EUA trabalham com hipótese de ''solução turca''

Criticados por não adotarem uma posição mais dura contra o regime de Hosni Mubarak, autoridades do governo de Barack Obama defenderam ontem uma transição para a democracia no Cairo. Ao mesmo tempo, evitaram afirmar que o atual presidente egípcio deva ser removido do cargo. Analistas afirmam que a estratégia dos EUA visa uma democratização segura do Egito, sem o risco de a Irmandade Muçulmana assumir o poder.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2011 | 00h00

"Somos muito claros ao dizer pública e privadamente que as autoridades egípcias devem iniciar um processo de diálogo nacional que leve a uma transição. O próprio presidente Mubarak disse isso, ao afirmar que daria passos para reformas democráticas e econômicas. Esperamos que isso aconteça", disse a secretária de Estado, Hillary Clinton. Ela rejeitou a suspensão da ajuda militar de US$ 1,3 bilhões para o Egito neste momento.

O temor em Washington é que os "EUA se posicionem do lado errado da história", ao não ser claro na sua oposição ao regime de Mubarak, conforme escreveram professores das universidades Harvard, Yale e Princeton em artigo na revista Foreign Policy. Outros temem que o fim do regime coloque em risco a estabilidade na região, o acordo de paz do Egito com Israel e aumente a possibilidade de a Irmandade Muçulmana assumir o poder.

De acordo com Hani Sabra, especialista em Oriente Médio da Eurasia, o novo vice-presidente Omar Suleiman, que chefiava a inteligência militar, e o novo premiê, Ahmed Shafik, que comandou a Força Aérea, "provavelmente tentarão facilitar uma saída ordenada de Mubarak, num esforço para que o Egito tenha um destino parecido ao da Turquia nos anos 80 e 90, com representação democrática e influência limitada dos radicais islâmicos".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.