AP Photo/Ronald Zak
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EUA trabalham para restaurar democracia na Venezuela, diz Kerry

Chefe da diplomacia americana se disse extremamente preocupado 'pelo pouco desejo' de Caracas de 'escutar as necessidades de seu povo'

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2016 | 13h39

BUENOS AIRES - O chefe da diplomacia americana, John Kerry, disse na manhã desta quinta-feira, 4, em Buenos Aires que os Estados Unidos trabalham para facilitar o restabelecimento da democracia na Venezuela. Ao lado da chanceler argentina, Susana Malcorra, ele foi questionado em uma entrevista coletiva sobre a conveniência de Caracas assumir a presidência do Mercosul, tema discutido por representantes do bloco em Montevidéu. O americano se disse extremamente preocupado "pelo pouco desejo da Venezuela de escutar as necessidades de seu povo" e fez uma recomendação ao governo de Nicolás Maduro.

"Aconselhamos a Venezuela a não atrasar o referendo revogatório até o próximo ano. Esperamos que tome medidas que respeitem a Constituição do país e escute o pedido de seu povo. Estamos tentando melhorar a situação. Falamos bastante sobre esse tema hoje. Queremos facilitar uma restauração da democracia e dos direitos do povo."

A oposição venezuelana tenta concretizar uma consulta popular que poderia encurtar o mandato de Maduro e levar a uma eleição direta, de acordo com a Constituição. Caso o referendo ocorra depois do dia 10 de janeiro de 2017, o poder passaria a outro integrante do chavismo.

Malcorra mostrou-se insatisfeita com a tentativa venezuelana de assumir a presidência semestral do bloco sem consenso e sem uma reunião de transmissão por parte do Uruguai, que ocupou a função até sexta-feira. Brasil e Paraguai são contra a posse de Caracas em razão da instabilidade econômica e institucional enfrentada pelo governo de Maduro. Eles também advertem para a dificuldade de negociar com outros blocos tendo Caracas à frente, mesmo que em uma função tradicionalmente simbólica.

Malcorra reforçou o temor de que o prejuízo já esteja ocorrendo em função do que classificou de vazio. "Nos preocupa que isso tenha uma projeção para fora do Mercosul. Estamos em um momento decisivo em que pretendemos avançar em muitas frentes com a União Europeia, mas também com outras possibilidades de acordo. Achamos que isso pode afetar o posicionamento do Mercosul", disse a diplomata, que viaja nesta quinta-feira ao Brasil com o presidente argentino Mauricio Macri para a abertura dos Jogos Olímpicos. 

Entre as soluções cogitadas para a presidência do bloco, estão uma administração temporária compartilhada de seis meses e a antecipação do mandato da Argentina, que só assumiria em fevereiro. Assessores de Macri consideram provável que ele se encontre no Rio de Janeiro, mesmo que informalmente, com o presidente brasileiro em exercício Michel Temer e com o paraguaio Horacio Cartes para discutir o assunto.

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