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EUA trocam comando no Afeganistão para vencer o Taleban

Segundo membros do Pentágono, guerra no país exige abordagem 'não convencional' para ser vencida

Agências internacionais,

11 de maio de 2009 | 14h39

O secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, substituiu nesta segunda-feira, 11, o comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão, e escolheu um ex-comandante de forças especiais para supervisionar a estratégia do presidente Barack Obama contra a insurgência do Taleban. Gates disse ter solicitado a renúncia do general David McKiernan, que passou menos de um ano no cargo, quando o período habitual é de 18 a 24 meses.

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O chefe militar alegou que a nova estratégia dos EUA no Afeganistão exigia uma mentalidade renovada. Ele recomendou a Obama que indique o general Stanley McChrystal, ex-Boinas Verdes, para comandar os 45 mil soldados dos EUA e os 32 mil de outros países da Otan presentes no Afeganistão. 

 

Segundo membros do departamento de Defesa ouvidos pelo The New York Times, a demissão de McKiernan se deve à sua abordagem convencional da guerra. O Pentágono, de acordo com o jornal, acredita que o Afeganistão representa o desafio militar mais complexo da história americana recente.

McChrystal, hoje diretor do Estado-Maior Conjunto dos EUA, deve ser indicado por Obama e confirmado pelo Senado dos EUA. O general David Rodriguez, elogiado por seu combate à insurgência quando chefiava uma divisão no leste afegão, foi indicado como subcomandante das forças americanas no Afeganistão.

Gates, que há poucos dias esteve no Afeganistão, disse ser esta "a hora certa para fazer a mudança". Ele afirmou a jornalistas que McChrystal e Rodriguez "trazem ambos tremendas capacidades para várias áreas que são muito pertinentes ao tipo de luta que temos no Afeganistão, e é a capacidade combinada deles que eu acho que nos dá algumas oportunidades renovadas para avançar."

Os EUA invadiram o Afeganistão em 2001 para derrubar o regime Taleban, que dava refúgio aos militantes da Al-Qaeda, responsáveis pelos atentados de 11 de Setembro. Nos últimos meses, a violência no Afeganistão atingiu o maior nível dos últimos sete anos.

Alguns analistas afirmam que McKiernan tinha solicitado um aumento maior da força militar americana no Afeganistão. O general argumentava que seu contingente não era suficiente para combater o Taleban no país. Obama aprovou o envio de 17 mil soldados ao Afeganistão neste ano, além de 4 mil oficiais para treinamento.

 

Até o fim de 2009, os EUA terão mais de 68 mil militares por todo o país - aproximadamente o dobro do que o mantido pelo governo George W. Bush no fim do mandato, mas número consideravelmente inferior em comparação aos 130 mil que servem no Iraque. McKiernan havia assumindo em junho o comando da Otan no Afeganistão, e meses depois incorporou também o comando norte-americano.

 

(Texto ampliado às 17h40)

 

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