Cristobal Herrera-Ulashkevich/EFE/EPA
Cristobal Herrera-Ulashkevich/EFE/EPA

EUA ultrapassam 11 milhões de casos de covid-19 e Estados adotam novas medidas de restrição

País vem registrando uma média diária de 1,1 mil mortes; segundo uma pesquisa recém-divulgada, quase 2,2 milhões de americanos perderam um parente próximo em razão da doença

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 11h33

WASHINGTON — Os Estados Unidos ultrapassaram, no domingo, 11 milhões de casos de covid-19, mais que qualquer outro país, com 1 milhão de novas infecções diagnosticadas apenas na última semana. Diante da resposta anticiência do governo de Donald Trump, focado em contestar a vitória legítima de Joe Biden nas eleições do início do mês, os Estados adotam suas próprias ações, com Washington e Michigan adotando novas medidas para conter o avanço da pandemia.

Em média, os EUA vêm registrando uma média diária de 1,1 mil mortes por covid-19, enquanto o número total de pessoas que já perderam sua vida em razão da doença se aproxima de 250 mil. Os novos casos contabilizados semanalmente aumentaram 80% nas últimas duas semanas, enquanto o número atual de internações se aproxima de 70 mil.

Segundo uma pesquisa recém-divulgada por pesquisadores da Universidade do Estado da Pensilvânia e da Universidade do Sul da Califórnia, quase 2,2 milhões de americanos perderam um parente próximo em razão da doença. Quase todos os americanos conhecem alguém que já pegou covid-19 — e, cerca de um terço deles, alguém que morreu por complicações da doença.

No sábado, o governo de Donald Trump adotou tom otimista, afirmando que espera distribuir 20 milhões de doses de vacina em dezembro. Apesar dos resultados promissores apresentados pela Moderna e pela Pfizer nos últimos dias, não há nenhuma vacina aprovada ou perto de ser distribuída em massa.

Em paralelo, em mais uma faceta da resistência de Trump de reconhecer sua derrota nas urnas, a Casa Branca bloqueia o acesso de Joe Biden a figuras-chave que planejam campanhas de vacinação em janeiro e fevereiro de 2021. As verbas destinadas para o governo de transição democrata, tal qual o acesso à infraestrutura do Departamento de Estado, também continuam pendentes enquanto o republicano diz, mesmo sem quaisquer provas, ter sido vítima de fraude eleitoral.

Estados adotam medidas

Trump já deixou claro que não irá impor uma quarentena nacional, apesar dos alertas de que a situação pode piorar. No domingo, o epidemiologista-chefe da Casa Branca, Anthony Fauci, disse que mais 200 mil pessoas podem morrer até o meio do ano que vem caso as medidas de distanciamento não sejam respeitadas, mesmo que haja vacina.

Fauci, que frequentemente contradiz o presidente ao defender as diretrizes de saúde, disse ainda que Trump não participa de uma reunião da força-tarefa para conter a doença “há vários meses.” Mesmo diante da resistência da Casa Branca, no entanto, os Estados começam a adotar novas medidas.

Em Michigan, as aulas presenciais serão suspensas no Ensino Superior e no Ensino Médio, anunciou a governadora democrata Gretchen Whitmer, por ao menos três semanas a partir de quarta-feira.

Espaços fechados de reunião, como teatros, cinemas e cassinos, também deverão fechar no Estado. Restaurantes só poderão funcionar em espaços abertos ou com serviços de entrega ou retirada. Sem estas medidas, disse a governadora, Michigan, que está “à beira do precipício”, poderá ver mil mortes por dia.

“Esta é a maior emergência sanitária que o nosso país enfrenta em mais de um século e nossa resposta deve refletir este mesmo nível de urgência”, disse Whitmer, alvo de um complô de extrema direita para sequestrá-la, desmantelado em outubro pelo FBI.

Ação de Graças

As novas medidas anunciadas Whitmer, que ficou na mira da extrema direita em razão de sua resposta à pandemia, foi criticada por Scott Atlas, conselheiro de Trump para a covid-19. 

Atlas, que não é epidemiologista ou especialista em doenças infecciosas, disse que a “única maneira” de as restrições pararem será “se o povo despertar.” Bastante criticado por outros especialistas, o radiologista também já pôs em xeque o uso de máscaras.

Enquanto Whitmer anunciava as novas restrições em Michigan, o governador de Washington, o também democrata Jay Inslee, ordenou que restaurantes e academias fechem seus salões, que museus parem de funcionar e que as lojas funcionem com apenas 25% de sua capacidade.

Em ambos os Estados, os casos de covid-19 dobraram nas últimas semanas. Outros lugares que enfrentam uma piora do panorama também tomam medidas. Em Iowa, Ohio, Virgínia Oriental, Utah e Dakota do Norte — todos governados por republicanos — o uso de máscaras é obrigatório. Em Wisconsin e Nevada, a população foi orientada a ficar em casa, algo similar ao que ocorrerá em Chicago a partir desta segunda.

Em Nova York, bares e restaurantes precisam fechar às 22h e novas restrições devem ser anunciadas nos próximos dias, em meio às preocupações de que o feriado de Ação de Graças, no próximo dia 26, impulsione novos casos da doença. O Canadá, que celebrou a data no mês passado, lida hoje com um aumento dos casos associados ao deslocamento de pessoas./New York Times

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