EUA vão julgar acusado de espionar a serviço da China

Deve começar hoje, no Havaí, Estados Unidos, a seleção do júri para o julgamento do engenheiro indiano Noshir Gowadia, de 66 anos, acusado de vender segredos militares para a China. As primeiras declarações no tribunal federal devem ocorrer só amanhã. Gowadia havia participado do projeto do bombardeiro B-2, que usa uma tecnologia que permite ao avião não ser detectado por radares.

AE-AP, Agência Estado

06 de abril de 2010 | 19h02

O engenheiro declarou inocência dos 21 crimes dos quais é acusado, dentre eles conspiração, violação do ato de controle de exportação de armas e de lavagem de dinheiro. Ele é acusado de ter ajudado a China a desenhar um míssil de cruzeiro que não pode ser detectado por radares. Segundo os promotores, Gowadia embolsou US$ 110 mil em dois anos pelo projeto.

O julgamento começa cerca de quatro anos e meio depois de Gowadia ter sido preso e mais de três anos depois de seu julgamento ter originalmente sido marcado. Gowadia está em detenção federal desde que foi preso em 2005 porque um juiz decidiu que ele era um risco para a aviação.

O julgamento deve durar pelo menos dois meses. Ashton Gowadia disse que seu pai deseja ser seu próprio defensor. "Papai está muito confiante de que será 100% inocentado dos crimes", disse o mais jovem dos Gowadia em e-mail para a Associated Press.

Larry M. Wortzel, integrante da Comissão Estados Unidos-China de Economia e Revisão de Segurança, disse que o julgamento será observado de perto pela comunidade de inteligência, pelo FBI e pelos militares, porque é um de uma série de casos importantes envolvendo espionagem chinesa nos Estados Unidos.

A promotoria afirmou que Gowadia ajudou a desenhar um escapamento para a China que produz menos calor, o que dificulta a descoberta do míssil por detectores infravermelhos. A acusação afirma que ele fez seis viagens à China entre 2003 e 2005, conspirando para esconder algumas de suas visitas ao conseguir que agentes de imigração não carimbassem seu passaporte. Ele também é acusado de tentar vender tecnologia secreta para o governo suíço e para negociantes em Israel e na Alemanha.

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