EUA vão lançar vacina contra a varíola

Depois de uma indecisão de meses, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, decidiu produzir uma arriscada, mas eficaz vacina contra a varíola, e oferecê-la para todos os norte-americanos, começando pelos militares e trabalhadores do setor de saúde - os primeiros defensores da população no caso de um ataque bioterrorista. Bush vai anunciar o programa amanhã e a vacinação deve começar em janeiro, disseram ontem funcionários do governo. A vacinação será obrigatória para cerca de 500 mil militares e recomendada para outros 500 mil que trabalham nas salas de emergência dos hospitais e nas equipes que atuam para fazer frente à varíola. A vacina será oferecida à população em geral, que poderá se submeter voluntariamente a uma dose tão logo grandes estoques tiverem tido permissão para serem aplicados, provavelmente no início de 2004, embora o governo não encoraje as pessoas a tomar a vacina. Ao tomar a decisão, Bush precisou pesar os riscos da doença, freqüentemente mortal, em relação aos perigos da vacina, que produz mais efeitos colaterais que qualquer outra já aplicada nos Estados Unidos. Em seus poucos comentários públicos sobre o tema, Bush enfatizou suas preocupações sobre a vacina, e disse ontem que as pessoas devem considerar seus perigos. "Será muito importante que estejamos certos de que as pessoas sejam amplamente informadas, para poderem tomar uma decisão sábia", disse Bush em entrevista transmitida ontem no programa "World News Tonight", da emissora de televisão ABC. Com base em estudos dos anos 60, cerca de 15 em cada 1 milhão de pessoas vacinadas pela primeira vez devem sofrer complicações que colocam a vida em risco, e uma ou duas morrerão. As reações são menos comuns para aqueles que são vacinados pela segunda vez. A varíola, outrora uma das doenças mais temidas do planeta, matou centenas de milhões de pessoas nos séculos passados, mas não tem sido registrada nos EUA desde 1949. A doença foi considerada erradicada do mundo em 1980. No entanto, especialistas temem que a doença poderia ser usada por nações hostis ou por grupos terroristas, quando de um ataque. Especialistas dos serviços de inteligência acreditam que quatro países, incluindo o Iraque, dispõem de estoques ilegais do vírus da varíola.

Agencia Estado,

12 Dezembro 2002 | 19h19

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