EUA vão pedir pena de morte para acusado de atentado

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que pedirá a pena de morte contra Zacarias Moussaoui, a única pessoa formalmente acusada até o momento pelos atentados de 11 de setembro contra Nova York e Washington."Moussaoui merece morrer porque ajudou a planejar o ato criminoso com o maior número de mortes na história dos Estados Unidos", escreveu a promotoria em uma nota ao júri do tribunal de Alexandria, Virgínia, onde o julgamento será realizado neste ano.Moussaoui, um francês de origem marroquina de 33 anos, é acusado de conspirar com Osama bin Laden, os seqüestradores e outras pessoas para cometer os atentados de 11 de setembro. Seu julgamento será iniciado em 30 de setembro.Quatro das seis acusações contra ele são passíveis de pena de morte. Em um comunicado, a França lamentou a decisão de Washington de pedir a pena de morte para Moussaoui. Segundo o chanceler francês, Hubert Védrine, as evidências coletadas na França contra Moussaoui não podem ser usadas como base para condená-lo à morte.A França é fortemente contrária à pena de morte, abolida em 1981. Védrine disse que o país fará o possível para que as eventuais provas que teria de entregar aos Estados Unidos nesse caso "não sejam utilizadas como fundamento de um pedido de pena de morte".Acordos judiciais isentam a França de cooperar com as autoridades em investigações nas quais a pena capital esteja envolvida. A ministra francesa de Justiça, Marylise Lebranchu, reforçando as declarações de Védrine, disse que, "sob nenhuma circunstância", serão transmitidas evidências que possam ser usadas como base para uma pena de morte.O secretário de Justiça dos EUA, John Ashcroft, defensor da pena de morte, disse que a corte identificou vários "fatores agravantes" que, segundo o governo, justificam a pena de morte. "Entre esses fatores está o impacto do crime que deixou milhares de vítimas", disse Ashcroft.Mais de 3.000 pessoas morreram nos ataques de 11 de setembro. Segundo o governo, antes de sua prisão, Moussaoui freqüentou uma escola de pilotagem nos Estados Unidos e "aproveitou-se das oportunidades de aprendizagem numa sociedade livre com o propósito de aprender a pilotar um avião para matar quantos americanos fosse possível".Moussaoui, que teria ido a campos de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão, é acusado de conspirar para cometer atos de terrorismo, destruir aviões, usar as naves seqüestradas como armas de destruição em massa e assassinar funcionários norte-americanos.Segundo investigações, Moussaoui recebeu dinheiro em julho e agosto de Ramzi Bin al-Shibh, um suposto membro de uma célula terrorista alemã, que foi colega de quarto de Mohammed Atta, suspeito de chefiar os ataques. O FBI sustenta que Bin al-Shibh deveria ter sido o 20º seqüestrador.

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